Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

Um Orçamento de Estado para salvar um país ‘tecnicamente’ falido – e a Sertã no meio de tudo isto

O Governo prometeu e ele aí está, o Orçamento de Estado (OE) mais recessivo de que há memória, pelo menos nos últimos quarenta anos. A tragédia, que não a grega (esses estão bem encomendados!!!), é que todas as medidas agora anunciadas (corte de subsídios, congelamento de salários, agravamento no IVA, subida de vários impostos, aumento das horas de trabalho, limites às deduções fiscais ou taxas adicionais) poderão não chegar para salvar o país da falência, como têm admitido alguns analistas.
Claro que a justeza das medidas é discutível, como é discutível a ausência de reformas profundas para o curto-prazo. O Orçamento de Estado dedica poucas linhas às prometidas reformas, o que deixa transparecer, como alguém disse, que neste OE “o urgente se sobrepõe ao importante”.
A questão que muitos portugueses colocam é para que servirão estes sacrifícios se o Estado não se modernizar e se o país não fizer as reformas necessárias para aumentar a sua competitividade e atractividade em relação ao exterior? E já nem falo da ausência de medidas para fazer crescer a economia…
Perante tudo isto, e analisando agora o efeito que estas medidas poderão ter no concelho não será difícil prever que, à semelhança do resto do país, a Sertã viverá tempos difíceis. Olhando para a estrutura económica sertaginense, temos que o município possui cerca de seis mil trabalhadores (dados de 2009), dos quais 2.619 exercem a sua actividade por conta de outrem, auferindo um salário médio de 732,8 euros. A baixa escolaridade dos trabalhadores é um dado preocupante, sendo que a maioria não tem mais do que o terceiro ciclo do ensino básico (o equivalente ao 9.º ano) e apenas 143 possuem uma licenciatura. Ou seja, a mão-de-obra na Sertã é de pouco qualificada. De notar, que o sector terciário é o que absorve boa parte da população empregada (1.400 trabalhadores por conta de outrem – não estão aqui incluídos os trabalhadores por conta própria), não sendo despiciente o valor alcançado também pelo sector secundário.
Registe-se também que a Sertã verifica cerca de 6.083 pensionistas, que recebem um valor médio anual de 3.485 euros.
Recordo igualmente o que aqui escrevemos há cerca de dois anos, citando a Agenda 21 Local do município da Sertã: o concelho tem “poucas oportunidades de emprego”; existe muita “incerteza na manutenção e sobrevivência de micro, pequenas e médias empresas ligadas ao sector florestal”; a competitividade da actividade agrícola local é “pouca”, devido ao seu carácter minifundiário e ao “fraco associativismo por parte dos agricultores”; e a actividade industrial é “reduzida”. Sem esquecer o facto de o “extenso parque industrial atrair sobretudo actividades comerciais e de prestação de serviços”.
Perante este cenário não é difícil imaginar que só a perseverança e coragem dos empresários locais, aliada a uma vontade indómita por parte dos trabalhadores poderá evitar males maiores para o nosso tecido empresarial. No entanto, será de admitir um aumento significativo do número de desempregados no concelho, que actualmente está nos 621 indivíduos.
Mas não é só nos trabalhadores e pensionistas que as medidas de austeridade se farão sentir. Também as câmaras e freguesias viram as suas transferências estatais reduzidas. No caso da Câmara da Sertã, o Orçamento de Estado prevê uma transferência de 7.514.725 euros (contra 7.906.758 euros em 2011). Esta verba encontra-se assim distribuída no OE: Fundo de Equilíbrio Financeiro Corrente (4.254.220 euros), Fundo de Equilíbrio Financeiro Capital (2.836.147 euros), Fundo Social Municipal (215.068 euros) e IRS (209.290 euros).
Quanto às transferências para as freguesias do município sertaginense, as notícias não são melhores: o valor a transferir diminui de 579.962 euros para 551.207 euros. Este valor ficou assim distribuído pelas diferentes freguesias – Cabeçudo (27.114 euros), Carvalhal (23.159), Castelo (36.171), Cernache do Bonjardim (76.526), Cumeada (29.853), Ermida (29.402), Figueiredo (23.287), Marmeleiro (30.183), Nesperal (23.155), Palhais (26.952), Pedrógão Pequeno (40.887), Sertã (97.003), Troviscal (47.706) e Várzea dos Cavaleiros (39.809).
Sobre as verbas inscritas no Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC), ficamos sem saber se o concelho da Sertã irá receber alguma verba, isto porque o Governo decidiu, ao contrário do que vinha sucedendo até aqui, apenas colocar as afectações deste programa por regiões NUTS II.

21 comentários:

Anónimo disse...

Então, onde estão os sapientes cá do burgo?Já estão falidos?

Anónimo disse...

Cibernautas: Há um novo blogue sobre a região: http://joaopedronunes.blogspot.com/

Vale a pena ver e eu gostei.

Anónimo disse...

O orçamento para o Concelho da Sertã não vai NEM DEVE ser cumprido. Por uma razão simples: não há dinheiro!!! Ponham metade dos funcionários públicos- Câmara, Centro de Saúde e Escolas Secundárias( da Sertã e Cernache) na rua. Não interessam para nada. A sua inutilidade está à vista. Não queremos a infelicidade de ninguém. Mas não andem a sonhar. Caiam na real. Metade vão tratar na vida noutro lado. No privado, na agricultura, serrações e emigração. É inevitável. E os senhores sabem bem que isto é verdade.
Ou não?

Anónimo disse...

Acho k deves ser tu o primeiro a ir para a agricultura.
Para apanhar azeitona k é o que está agora a dar. Se não fizeres isto o verdadeiro inútil és tu.

Alto da Junceira, disse...

Ó rapaz, o que te aflige é saberes que tenho razão. Nem é metadedo orçamento. Devem cortar-se 2/3. Isto decorre nas novas medidas de austeridade que aí vêm. Sim, ainda são mais... Estás mal informado. O Welfare State destrui a Europa.
Um habitante de Hong Kong tem um rendimento per capita superios ao de um habitante do Reino Unido. O socialismo, ou melhor o estatismo da economia europeia vai ser extirpado.
A economia da China Comunista tem um sector público de 28% enquanto na Grã- Bretanha é de 58%.
Novos caminhos tem A europa que trilhar com os seus 5oo milhões de habitantes.
O estado paternalista , sufocante e paralisador tem que se retirar da economia.
Têm que ser neutralizados os sindicatos, a ideologia marxista de uns politiqueiros e os banqueiros de rapina.
Precisamos de um Espaço Vital.
Não nos esqueçamos que a Europa acaba só nos Urais. Essa parte da Rússia tem apenas 100 milhões de habitantes. É governada pelas mais mais despudoradas máfias. Como a Ucrânia.
O caminho é a desastizaçãoe o caminho de Leste.
Quanto a ti não deverás estar muito longe do nível cultural da Casa dos Segredos. Houve uma concorrente que afirmou ser a capital da Itália Veneza... Mas tudo isto será muito complicado para a tua cabecinha de funcionário público...
Para Leste é o caminho. Já Bismark o dizia.
E era verdade.Adicionando a neutralização do "socialismo". Em Hong Kong a classe média não paga impostos. Os mais ricos pagam 20%. E é o que se vê.
Não ao socialismo, não à rapacidade do capitalismo de casino.
O caminho está no Leste. Vamos conversar com a Rússia.
Se fôr possível. Falta espaço a esta Europa falida e socialista.
Vamos para o Oriente europeu. Desgovernado e subaproveitado.

Alto da Junceira, disse...

* destruiu,superior.

Anónimo disse...

Para o Anónimo das 00:34 não o município não pode interferir na escola secundária de Cernache (IVS) visto que esta não é pública, é atribuída uma verba pelo Ministério da Educação ao IVS e este administra essa verba da forma que achar mais adequada.

Anónimo disse...

Também passei por esse blog http://joaopedronunes.blogspot.com/ e achei bastante interessante, os artigos da nova via estruturante para o concelho e do estranho caso de Cernache Sem Bonjardim estão muito realistas.

Anónimo disse...

27 Outubro, 2011 00:34
Não mande, vá mesmo. Apanha da AZEITONA é o k está a dar.
Também já vimos a sua cultura falta mostrar o k sabe de agricultura: AZEITONA.

Anónimo disse...

Nesse blog que têm referido aqui ( http://joaopedronunes.blogspot.com/ ) está a primeira proposta para a reorganização do mapa de freguesias do Concelho da Sertã, que eu vi, sinceramente parece-me a mais lógica e bem estruturada

Zé Miguel Maranho disse...

A proposta desse blogue não têm nada de muito elaborado, limitando-se a seguir questões de fronteiras entre freguesias para uma possível reorganização.
Além disso, integra a provavelmente extinta freguesia do Carvalhal na área da freguesia do Castelo, socorrendo-se de ligações históricas entre as duas. Não sei se saberá que a freguesia do Carvalhal tem mais ligações históricas com a de Pedrógão Pequeno, visto que esta mesma freguesia do Carvalhal chegou a integrar o extinto concelho de Pedrógão Pequeno.
Mas, contudo, é de saudar a iniciativa deste 'opinion maker' que tem deixado algumas boas sugestões n'A Comarca da Sertã, sem seguir as habituais agendas partidárias cá do burgo. Continue...

Anónimo disse...

Se ler com atenção, ele levanta dúvidas relativamente à freguesia do Carvalhal, onde também coloca a hipótese da mesma passar para Pedrogão Pequeno, apontando que a mesma deveria passar para o Castelo somente pelo factor distância, mas claro que têm de ser tidos em conta outros factores.

Anónimo disse...

Não falem em minudências... Conversa dos vossos avós! Quando a Europa de afunda , quando o euro, a economia vai ao ar, quando há fome, quando Espanha tem 21% de desemprego o que interessam os limites das freguesias? Abram a pestana!!! Vejam A Bolsa hoje. O desastre que se avizinha. Em que já estamos. O futuro está no Oriente!

..........Next Bolsa Psi 20...............................................

Anónimo disse...

http://abrupto.blogspot.com/2011/10/ha-alternativas-ha-o-que-sao-e-piores.html

Luísa Maria disse...

Em Vladivostok ...!?

Talvez seja melhor arregaçar as mangas, mas é mesmo na Sertã. Ao Carvalhal resta espaço e quanto a Pedrógão Pequeno, as pedras lá irão sofrendo a erosão. Só o rio e as pedras permanecerão, pois daqui a 20 anos já não haverá votantes.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/economia/angola-ouvida-no-recurso-ao-fundo

Anónimo disse...

Pois Luísa mas isso é o que a Câmara tem feito, e uma das causas da desertificação, investir só na sede de Concelho e as restantes freguesias ficam "a ver navios".

Anónimo disse...

A Sertã precisa de iniciativa de nova vida.
Onde anda a ZONA INDUSTRIAL
bola.

Alto da Carreira disse...

Estamos nos FINados... Deve ser por isso que as acções do BCP, BPI E BES estão a um nível pouco acima do afogamento. O que se passa com a Banca portuguesa?
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Duarte Lima terá pedido um empréstimo de 6 milhões de euros ao BPN, para alegadamente comprar obras de arte que estarão num of-shore. Deve ser arte brasileira... Quem pagou a "arte"? O Zé Povinho. Haja paciência. Que não há.
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A Câmara Municipal de Alpiarça reabriu o Museu Casa dos Patudos. Com obras de beneficiação. Onde se fala e de José Relvas, homem sério que proclamou a República no 5 de Outubro dos Paços do Concelho da Sertã, perdão de Lisboa. Hoje no Público. Nem uma palavra sobre a Sertã.Na Sertã, o sr.Vítor Cavalheiro derrubou a casa dos Mascarenhas com umas bulldozers. Como se vê, como sempre podem comparar-se as 2 atitudes: Alpiarça e Sertã. Desertificação do interior? Pois claro. E como estará a povoação das Relvas, perto na Ribeira da Sertã? Afinal foi onde tudo começou.

Alto da Carreira disse...

*offshore.

Anónimo disse...

Em Cernache existe a casa do Dr. Abílio Marçal ao abandono e este senhor foi "apenas" presidente da Assembleia da República segunda figura do Estado e da Nação. E o Dr. Abílio Marçal viveu de facto no Concelho, e trabalhou em prol do Concelho, não foi o avô dele nem o primo nem o tio. Tanta coisa porque o Avô de José Relvas nasceu na Sertã e daí? Não foi ele que nasceu pois não? A Golegã sim deveria estar interessada num museu sobre ele. Existem muitas figuras no Concelho mais relevantes que não têm qualquer museu, D. Nuno Álvares Pereira, Dr. Abílio Marçal, Dr. Bravo Serra, Comendador Libânio Vaz Serra entre outros...

Anónimo disse...

Este é burro. Leia o livro Os Burros do Pe. José Agostinho de Macedo.