terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Exposição dá a conhecer obra de Túlio Vitorino e do filho Tito



A 'monumental' História da Pintura Portuguesa fala de Túlio Vitorino como um “impressionista”, cuja “pintura se caracteriza por grandes manchas, com as quais [ele] resolve os problemas da luz e da cor, preferindo as policromias suaves aos contrastes fortes”. Já o especialista Diogo de Macedo dizia que Túlio era “hábil como todos os [pintores] portugueses e com grande domínio da técnica”.
Túlio Vitorino, que nasceu em Cernache do Bonjardim a 14 de Dezembro de 1896, é a figura central de uma exposição que a Câmara Municipal da Sertã tem patente no Atelier do artista, em Cernache, até ao próximo dia 30 de Abril de 2014.
Esta é já a segunda exposição, organizada pela autarquia, centrada numa das figuras maiores da cultura sertaginense, cuja produção artística foi bastante prolífica durante os anos e que teve nas paisagens e gentes do concelho da Sertã uma das suas principais fontes de inspiração.
O pintor cernachense expôs em diversos locais do país e até no estrangeiro, tendo conquistado diversos prémios com as suas obras.
Nesta exposição, estará também em destaque a obra do seu filho, Tito Vitorino. Nascido em Cernache do Bonjardim, Tito Vitorino soube seguir as pisadas do pai e deixar para a posteridade uma obra bastante interessante. Sobre ele escrevia-se no jornal A Comarca da Sertã, em 1988, ano da sua morte: “De abas largas, o chapéu de palha cobre-lhe os grisalhos cabelos. Seu rosto dita suaves sorrisos. O olhar atento arranca dum pasto ou casario, areal ou riacho, o motivo e a força para o ‘desabafo’ na tela”.
Aqui fica uma sugestão para ficar a conhecer melhor a obra destes dois pintores cernachenses.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Figuras de outros tempos: Olímpio Craveiro


Já aqui, várias vezes, reproduzimos as excelentes fotos que Olímpio Craveiro registou sobre a Sertã. Mas hoje vamos falar um pouco melhor deste homem a quem o concelho muito deve, sobretudo por ter perpetuado, nos seus ‘instantâneos’, as memórias da Sertã antiga.
Olímpio Craveiro nasceu na Sertã pouco antes do final do século XIX. Como muitos jovens da sua idade, foi recrutado para integrar o Corpo Expedicionário Português, que lutou em França durante a I Guerra Mundial (1914-1918). Conseguiu sobreviver ao conflito, guardando contudo alguns ferimentos de guerra que – dizem alguns – não hesitava em mostrar quando a isso era solicitado.
Terminada a guerra, permaneceu em Paris, onde trabalhou na embaixada portuguesa vários anos. Apaixonou-se e quando teve de regressar a Portugal deixou a mulher por quem nutria profundo amor (confidenciou anos mais tarde que ela o quis acompanhar mas que ele recusou, para a poupar às agruras do que era viver num país tão diferente e bastante pobre).
Quando chegou à Sertã, foi nomeado chefe de Conservação das Estradas.
Porém, a cultura era a sua grande paixão e a fotografia o seu principal hobby. Ainda jovem tivera a sua primeira máquina, com que registou algumas paisagens do concelho e também uma imagem que haveria de se tornar icónica – os antigos Paços do Concelho da Sertã.
Voltou a fotografar após o retorno à Sertã e aí dedicou-se de corpo e alma a esta arte. Fotografava tudo e sempre que sabia que alguma casa ou edifício estava para ir abaixo corria ao local para registar para a posteridade a memória do que lá existira.  
Nutria também grande admiração pelo teatro, sendo um dos grandes impulsionadores desta arte na vila da Sertã e integrando diversas companhias de amadores – ensaiou mesmo algumas delas.
Nos Bombeiros Voluntários da Sertã, Grémio Sertaginense e Filarmónica União Sertaginense fez parte dos corpos gerentes.  
Para recordação, aqui fica uma foto sua e também uma outra que retrata uma parte da serrada da alcaidaria, tendo ao fundo a avenida Gonçalo Rodrigues Caldeira.

Povoações: Macieira (Troviscal)



O povoamento da Macieira, que deve o seu topónimo à abundância desta árvore de fruto no lugar, remonta ao século XIII, altura em que terão chegado os seus primeiros habitantes.
O crescimento da sua população foi rápido, sendo em 1527 o segundo lugar mais povoado da futura freguesia do Troviscal (na altura ainda inexistente). Era também residência de alguns dos cidadãos mais influentes desta zona, como atestam as nomeações de certos residentes para o cargo de juiz pedâneo da freguesia.
A religiosidade das suas gentes era bastante arreigada, o que se comprova pelo facto de já em 1697 aqui existir uma ermida consagrada a Santa Bárbara. Esta capela foi depois demolida para dar origem ao novo templo, inaugurado em 1986 (hoje com o estatuto de igreja).
Em 1911, altura em que foi criada uma escola mista na povoação, a Macieira contava com 247 habitantes, espalhados por 45 fogos. A escola, que inicialmente funcionou num pequeno casebre conheceu instalações condignas em 1940, devido à boa vontade das suas gentes que custearam quase por inteiro o novo edifício.
O início da construção da estrada municipal que ligaria a Macieira às povoações das Várzeas, na freguesia de Pedrógão Pequeno (1946) constituiu um importante impulso na aproximação do lugar a outras zonas do concelho.
A agricultura e a floresta eram os principais meios de subsistência da população nos finais da década de 1940. Foi neste período que a Macieira foi abastecida de água, através de fontenários (1939). Mais tarde, em 1966, foram construídos pela Câmara Municipal mais quatro fontenários, tendo sido também restaurado o único existente até à data.
O crescimento demográfico obrigou à construção de uma nova escola em 1962, isto porque a antiga era exígua e não conseguia corresponder às necessidades dos cerca de 60 alunos existentes neste período.
Vários moradores do lugar defenderam, no início desta década de 1960, a divisão da freguesia do Troviscal em duas, com a sede da segunda freguesia a ficar instalada na Macieira. A ideia mereceu alguma polémica e foi abandonada após alguns meses de discussão.
A Macieira padeceu sempre de um relativo isolamento, resultado da inexistência de boas vias de comunicação que ligassem o lugar ao resto da freguesia e à sede do concelho. Conforme relata António Jorge Ramos, em documentação gentilmente cedida, “a Macieira ligava-se em 1976 à EN238, no lugar da Sardinheira, por uma estrada de terra batida, passando pela Ribeirinha, no sítio do Saltadouro, onde foi construída uma ponte em cimento, pela Hidráulica do Tejo”. A estrada de terra batida chegava à Macieira passando pelo Mindinho. A terraplanagem desta via chegou a ser efectuada (tal como ainda hoje é visível) mas a obra nunca foi concluída, tendo-se optado pela construção de uma nova estrada seguindo o trajecto Cruz do Fundão-Macieira (terminado em 1988). Já neste século foi concluído o asfaltamento da estrada entre o Pião e a Macieira.
O ensino no lugar ganhou nova dimensão com a abertura da telescola em 1976. É por esta altura que também surge na aldeia o Grupo de Danças e Cantares da Macieira (primeiro com um rancho infantil e depois com o rancho composto por muitos jovens), que mais tarde (1989) daria origem à criação da Associação Cultural, Recreativa e Desportiva Unidos da Macieira, constituída para dar suporte àquele agrupamento. Posteriormente, por escritura de 8 de Maio de 2000, a colectividade opta pelo nome de Associação de Melhoramentos, Apoio Social e Desporto de Macieira, cujos estatutos, então remodelados, ainda se mantêm.
O processo de electrificação deste lugar assumiu-se como uma verdadeira novela. Apesar dos primeiros passos para a consecução deste objectivo terem sido dados em 1970 problemas vários conduziram a que a luz só chegasse a este lugar no dia 7 de Dezembro de 1982.
O atraso na reparação de alguns acessos levou diversos populares da Macieira a acções de protesto contra a Câmara Municipal da Sertã no ano de 1992, que culminaram no corte de várias estradas.
O abandono a que estas e muitas outras povoações do concelho foram sujeitas na segunda metade do século XX conduziu a uma redução da população. Dos 239 habitantes registados em 1960, apenas restavam 136 em 2001. 

Agradecimento a António Jorge Ramos pelas correcções e adendas ao texto 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Marco Figueiredo apresenta novo disco de originais na Sertã



Chama-se «Triologia» e é o terceiro disco de originais do pianista sertaginense Marco Figueiredo. A apresentação deste novo álbum acontece no próximo dia 7 de Dezembro (sábado), na Casa da Cultura da Sertã, a partir das 22 horas.
O novo disco conta com as participações do também sertaginense Miguel Calhaz no contrabaixo e do baterista Marcos Cavaleiro.
Aqui fica uma excelente sugestão para o fim-de-semana e para todos aqueles que gostam de música.