terça-feira, 26 de outubro de 2010

Orçamento de Estado ‘pouco simpático’ para o concelho da Sertã

Enquanto na capital portuguesa, Governo e PSD tentam encontrar uma versão final para o tão propalado Orçamento de Estado (que poderá levar Portugal a uma situação de recessão e fazer com que a classe média fique mais pobre), na Sertã a Câmara faz contas à vida, em virtude deste mesmo Orçamento, e até já admite suspender a próxima edição da FAFIC.
E os ventos não correm de feição, a julgar por aquilo que está previsto no Orçamento de Estado’2011 para a Sertã. Desde Logo, no Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC), o concelho da Sertã, à semelhança do que tinha sucedido no Orçamento do ano passado, não recebe qualquer verba, ficando assim de fora a tão esperada construção do novo centro de saúde.
No entanto, cumpre aqui realçar que das verbas do PIDDAC previstas para o distrito de Castelo Branco, mais de 75 por cento são canalizadas para três projectos: Estabelecimento Prisional de Castelo Branco, UBI Medical e Faculdade de Ciências da Saúde da UBI. Dá que pensar….
Mas as más notícias chegam também do lado das transferências do Estado para os municípios. O concelho da Sertã viu o seu valor baixar de 8.650.376 euros (OE’2010) para 7.906.758 euros (OE’2011). Esta última verba encontra-se assim distribuída no Orçamento de Estado: Fundo de Equilíbrio Financeiro Corrente (4.485.312 euros), Fundo de Equilíbrio Financeiro Capital (2.990.208 euros), Fundo Social Municipal (226.751 euros) e IRS (204.487 euros).
No que se refere às transferências para as freguesias do município sertaginense também se verificou um decréscimo face ao ano passado: 634.483 euros para 579.962 euros. Este valor ficou assim distribuído pelas diferentes freguesias – Cabeçudo (28.528 euros), Carvalhal (24.367), Castelo (38.058), Cernache do Bonjardim (80.518), Cumeada (31.410), Ermida (30.936), Figueiredo (24.502), Marmeleiro (31.758), Nesperal (24.363), Palhais (28.358), Pedrógão Pequeno (43.020), Sertã (102.063), Troviscal (50.195) e Várzea dos Cavaleiros (41.886).

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Uma Fonte dos Amores “no meio do mundo”

É uma das muitas histórias do nosso concelho que o tempo apagou. Esta então ficou remetida ao esquecimento durante largas décadas até que um jornalista do Diário de Notícias a recuperou em 1941.
A história conduz-nos até à povoação da Marinha de Vale Carvalho, na freguesia do Troviscal, onde estava situada uma pequena fonte, conhecida por Fonte dos Amores.
Segundo o jornalista daquele diário, Fernão Lopes foi o primeiro a referir-se a ela numa das suas muitas crónicas, situando-a “no termo da Sertã, no meio de Portugal e no meio do mundo”. O seu nome e fama devem-se a uma história muito curiosa que envolve D. Aldensa Cogominhos e seu marido D. Paio Sancho. Este casal, “após vinte de união estéril e incompreendida, encontraram a felicidade e o almejado herdeiro, depois de terem bebido na Fonte dos Amores”.

Não sei se a dita fonte ainda hoje existe (nunca lhe conheci qualquer referência à excepção das fontes citadas), mas se algum dos nossos leitores quiser acrescentar algum dado a esta história, ficaríamos gratos.

Escolas do concelho da Sertã com comportamento modesto nos rankings

Os rankings valem o que valem mas não deixam de ser bons instrumentos de análise de realidades poucas vezes examinadas. Isso mesmo acontece com as escolas, que sempre que o mês de Outubro se aproxima do fim vêem analisado o seu desempenho – pelo menos no que toca aos resultados dos exames efectuados pelos seus alunos.
Vários foram os jornais e estações de televisão que nos últimos dias deram conta das suas tabelas e rankings escolares. À semelhança do que sucedeu em anos anteriores, optámos pelo ranking apresentado pelo jornal Público, devido à sua antiguidade e à profundidade das suas análises.
Desde logo, podemos observar que a Escola Secundária da Sertã ocupa o 314.º lugar no ranking das escolas públicas (num total de 488), com uma média final nos exames de 9.91. No entanto, se juntarmos as escolas privadas a este ranking (independentemente do número de provas que cada uma tenha realizado), a Secundária da Sertã desce para a 411.ª posição. Já o Instituto Vaz Serra (Cernache do Bonjardim) ocupa o 88.º lugar no ranking das escolas privadas, com uma média nos exames de 10.39, e o 322.º lugar na tabela final de públicas e privadas (ou seja, à frente da sua congénere da Sertã).
Numa análise mais pormenorizada aos resultados obtidos por estas duas escolas, podemos revelar que os alunos da Escola Secundária da Sertã estiveram melhor na disciplina de Matemática A (média de 11.38) do que na de Física e Química (7.80). Destaque para as médias positivas alcançadas nas disciplinas de História (10.74), Português (10.37) e Biologia e Geologia (10.00). No total, foram efectuadas neste estabelecimento de ensino 270 provas.
Já no Instituto Vaz Serra (onde se realizaram apenas 33 provas – o que poderá melhorar a sua classificação relativamente a escolas onde se efectuaram mais exames), os alunos mereceram nota positiva a Matemática A (13.74) e Português (10.97). No lado negativo, ficaram as disciplinas de Física e Química (9.55) e Biologia e Geologia (9.41).
Reportando-nos ao ranking do ensino básico (exames do 9.º ano, com classificação entre 0 e 5), verificamos que, no conjunto do concelho da Sertã, o Instituto Vaz Serra foi o que alcançou a melhor posição (227.º lugar entre as 1.295 escolas do país), com uma média de 3.14, logo seguido da E.B. da Sertã na 234.ª posição, com uma média bastante similar (3.13). Já a E.B. Padre António Lourenço Farinha não foi além da 818.ª posição (ainda assim, melhorou em relação ao ano transacto) com uma média nos exames do 9.º ano de 2.70.

São sem dúvida resultados a merecer reflexão!

sábado, 16 de outubro de 2010

Matiota: Um nome para a história do desporto sertaginense

O nome dispensa qualquer tipo de apresentações, visto estarmos perante um dos maiores vultos do desporto sertaginense, e não só, dos últimos 50 anos. Quis o destino que Matiota nos deixasse hoje, aos 78 anos de idade.
Como futebolista espalhou magia pelos campos do nosso país e, como treinador, ensinou várias gerações de jogadores. João Matiota foi isto e muito mais, numa carreira recheada de êxitos, onde lhe ficou a faltar a passagem pelo escalão máximo do nosso futebol – ele próprio não escondeu esse desejo em algumas conversas.Apesar de ter nascido em Cabo Verde, foi em Coimbra que despontou para o desporto. Primeiro como nadador (várias alcunhas desses tempos são reveladoras das suas qualidade para a modalidade) e depois como jogador de futebol ao serviço do União de Coimbra, que militava na 2.ª Divisão Nacional.
O seu futebol deu logo nas vistas, tendo rumado duas épocas depois ao Marco, equipa que trocaria anos mais tarde pelo Salgueiros.

No final da década de 1950, o Viação de Sernache (hoje Vitória de Sernache) passou a contar nas suas fileiras com Matiota. Os anos seguintes foram de confirmação para o jogador, que ajudou este clube durante o período mais áureo da sua história (brilharetes no Distrital de Castelo Branco e na 3.ª Divisão nacional e consequente subida à 2.ª Divisão nacional).
Em 1962, o Viação de Sernache abandonou o futebol e Matiota ficou sem clube. Depois de alguns jogos ao serviço de equipas vizinhas, o jogador ressurgiu já no final desta década ao serviço dos Bombeiros Voluntários da Sertã (BVS).
No dealbar da década de 1970, o presidente do Sertanense, José da Cunha e Santos, apostou forte na entrada do clube nas competições oficiais de futebol. Matiota, Amâncio e Aníbal Pires foram, juntamente com aquele responsável directivo, os grandes obreiros da constituição da equipa, que aproveitou muitos dos jogadores da antiga equipa do BVS.
Matiota acumulava as funções de jogador com as de treinador. Nas contas finais da época de 1970/71, o Sertanense ficou na última posição da prova, somando apenas três pontos (uma vitória e um empate). Matiota participou em todos os oito jogos da equipa, tendo apontado um golo frente à formação do Minas da Panasqueira – o último golo da sua carreira.
Na época seguinte, ‘arrumou as botas’ e dedicou-se exclusivamente à carreira de treinador. Orientou o Sertanense nas épocas de 1971/72, 1972/73, 1975/76 (na primeira metade da época), 1977/78 (até às últimas jornadas do campeonato), 1981/82, 1982/83, 1983/84, 1984/85 (na parte final da temporada) e 1985/86. Neste período, passou ainda pelo comando técnico do Vitória de Sernache, Recreio Pedroguense, Troviscal e Castanheira de Pêra.
Foi também um dos responsáveis pela introdução do futebol jovem no Sertanense (em 1974, orientou a primeira equipa de juniores do clube e outras que se seguiram) e do futebol feminino (treinou a formação organizada em 1975).
Em 2006, a Direcção do Vitória de Sernache homenageou-o através de um torneio de futebol de sete, a que deu o seu nome (a competição tem decorrido anualmente), e em 2009, foi homenageado durante as comemorações dos 75 anos do Sertanense Futebol Clube.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

As ruas da Sertã: Rua Dr. Carlos Martins

Onde fica? Artéria situada em pleno centro histórico da Sertã e paralela à Rua Cândido dos Reis

Quem foi? “Homem de grande estatura moral e intelectual, de carácter nobre, personalidade vigorosa, porte varonil, inteligência brilhante e culta, causídico de grande saber e justificada fama, funcionário de alta competência, cidadão dos mais distintos e influentes”. Os elogios de Amaro Vicente Martins, director do jornal «A Comarca da Sertã, a Carlos Martins, por alturas da morte deste em 1966, deixam perceber o perfil de um homem que marcou a história sertaginense.
Natural da povoação do Labrunhal, freguesia de Proença-a-Nova, Carlos Martins começou por frequentar o Seminário de Portalegre até 1906, altura em que se matriculou na Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito.
Regressou à sua região e assumiu, entre 1912 e 1915, o cargo de Administrador do concelho de Proença-a-Nova. Quatro anos depois é convidado para dar aulas no Liceu de Castelo Branco.
Em 1920, começa a leccionar no Instituto das Missões Laicas, em Cernache do Bonjardim, e por aí se mantém até 1927. Neste ano, resolve abrir um escritório de advocacia na Sertã, sendo nomeado, em 1937, Conservador do Registo Predial.
Durante as décadas de 40 e 50 ocupou diversos cargos de relevo na Sertã, tendo assumido mesmo, durante alguns anos, a presidência da Câmara da Sertã.
Quando completou 70 anos de idade, colocou um ponto de final na sua carreira profissional. “Desde então dividia o seu tempo entre um ou outro caso do foro e os cuidados do seu quintal e das suas abelhas, que eram a sua distracção predilecta”, escreveu Amaro Martins a propósito do seu amigo Carlos Martins.
Uma das histórias mais tocantes do advogado é também contada pelo antigo director d’ «A Comarca da Sertã»: “Sendo das primeiras pessoas a possuir receptor [de televisão] na Sertã, franqueava as portas da sua casa a todas as crianças da terra – sem distinção de nascimento ou roupa – que lá quisessem ir assistir aos programas infantis”.
Viria a falecer em 1966.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Memórias: Casa das Guimarães

Numa altura em que o país aperta o cinto (graças a um Governo que tardou em acordar para a realidade) e em que se comemoram os 100 anos da República, vamos aproveitar esta efeméride para trazer aqui uma recordação, que deveria fazer corar de vergonha todos os nossos governantes autárquicos dos últimos 20 anos. E até todos nós... cúmplices em tudo o que se passou.
A Casa das Guimarães fez correr litros de tinta pelos jornais locais, monopolizou debates em assembleias municipais e foi personagem principal em muitas conversas de café e de rua. E no fim, veio abaixo.
E porquê esta associação da Casa das Guimarães às comemorações dos 100 anos da República? Porque foi nesta casa que, em 1810, José de Mascarenhas Leitão e Bárbara Benedita Leitão viram nascer a sua filha Clementina Amália de Mascarenhas Pimenta, nada mais, nada menos que a avó paterna de José Relvas, o homem que, da varanda da Câmara de Lisboa, proclamou a República no dia 5 de Outubro de 1910.
Esta casa, que viria alguns anos mais tarde a ser oferecida por Romão de Mascarenhas a Ricardo Guimarães (como presente de casamento), guardava entre as suas paredes muitas histórias e memórias de noites grandiosas - nos finais do século XIX aí se faziam récitas de poesia e se assistiam a concertos de música.
Aqui fica a lembrança de uma casa que permanece no nosso imaginário. Que melhor sítio do que este para a instalação do museu da memória sertaginense...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Olhanense vem à Sertã jogar para a Taça de Portugal

O Sertanense ficou hoje a conhecer o seu adversário na terceira eliminatória da Taça de Portugal. Depois de nos últimos três anos ter calhado sempre em sorte o FC Porto, a equipa da Sertã volta a medir forças com uma equipa da 1.ª Liga, o Olhanense.
O sorteio, realizado esta manhã na sede da Federação Portuguesa de Futebol, em Lisboa, ditou que o Olhanense viesse jogar à Sertã, no fim-de-semana de 16 e 17 de Outubro (ainda não é conhecido o dia definitivo do jogo), o que poderá trazer muitos adeptos a terras sertaginenses.
Em declarações à Rádio Condestável, Paulo Farinha, presidente do Sertanense, disse que “é muito gratificante” receber a equipa algarvia, visto que “o Olhanense está a fazer um excelente campeonato na primeira liga, o que só vai dignificar o espectáculo”.
O Olhanense, treinado por Daúto Faquirá, ocupa actualmente o quinto lugar da classificação da 1.ª Liga, com os mesmos pontos (nove) do Benfica.

Vamos todos apoiar o Sertanense em mais esta jornada histórica do clube.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sertã comemora centenário da República

A Câmara da Sertã vai aproveitar o próximo dia 5 de Outubro para levar a cabo um conjunto de actividades, que servirão para assinalar os 100 anos da implantação da República. Do programa, destaque para a apresentação do livro «Ilustres Republicanos do Concelho da Sertã».
As comemorações terão início, pelas 10h30m, com uma sessão solene a decorrer nos paços do concelho, que incluirá o hastear da bandeira e a execução do hino nacional pela Sociedade Filarmónica Aurora Pedroguense (Pedrógão Pequeno).
Já da parte da tarde, às 17 horas, a Casa da Cultura recebe a inauguração da exposição «A I República no Concelho da Sertã», elaborada pelo Arquivo Municipal e que tem como objectivo “ilustrar a situação vivida no Concelho da Sertã no período que antecedeu e procedeu o 5 de Outubro de 1910”.
Seguidamente terá início a cerimónia de lançamento do livro «Ilustres Republicanos do Concelho da Sertã», da autoria de Marta Martins e Maria de Fátima Mata. “Esta obra sistematiza os resultados da investigação realizada em torno da I República, demonstrando a influência do novo regime na vida social, cultural, educacional e política no concelho da Sertã”, pode ler-se numa nota da autarquia.

A terminar os festejos (18h), teremos um concerto musical dos Vox Angelis, na mesma Casa da Cultura.

As raízes de José Relvas na Sertã

José Relvas era conhecido entre os seus camaradas republicanos pelo «Conspirador Contemplativo» e foi ele que na manhã do dia 5 de Outubro de 1910, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, declarou a implantação da República.
A sua participação no antes e depois desta implantação foi decisiva, contudo o que poucos sabem é que as suas origens estão directamente ligadas ao concelho da Sertã.
O seu avô paterno, José Farinha Relvas, nasceu em 1791, na povoação das Relvas, na freguesia da Ermida (concelho da Sertã). Seus pais, Manuel Ferreira Relvas e Maria Antónia Relvas, eram proprietários de boa parte dos terrenos da aldeia, e não só, e pessoas muito respeitadas pelos vizinhos.
Mas José Farinha Relvas não permaneceu por terras sertaginenses, tendo rumado, quando completou 30 anos de idade, à Golegã, para administrar a Quinta da Labruja. Nos anos seguintes, acumulou património e construiu uma fortuna assinalável.
Em 1837, casou com Clementina Amália de Mascarenhas Pimenta [nascida na Sertã, em 1810, no seio da ilustre família dos Mascarenhas Pimenta], com quem teve dois filhos – Carlos Augusto Relvas e José Relvas (que viria a falecer ainda jovem).
Carlos Relvas é o senhor que se segue. Pioneiro da fotografia em Portugal e grande apaixonado pela tauromaquia, o filho de José Farinha Relvas manteve as ligações paternas à Sertã, onde foi visita permanente sempre que as férias chegavam ou quando surgia a oportunidade de visitar algum amigo mais chegado.
Da sua união com Margarida Mendes de Azevedo Vasconcelos, resultou o nascimento de cinco filhos: José Relvas, Clementina Relvas (que chegou a morar na Sertã em 1892), Francisco Relvas, Maria Liberata (faleceu depois de completar um ano de vida) e Margarida Relvas.
A história continua agora com José de Mascarenhas Relvas. Nascido a 5 de Março de 1858 (foi baptizado a 7 de Abril do mesmo ano, sendo o seu avô José Farinha Relvas o padrinho), frequentou o curso de Direito na Universidade de Coimbra, que viria a abandonar para se matricular no curso superior de Letras.
Depois de regressar a Alpiarça, casou-se com Eugénia Antónia de Loureiro da Silva Mendes e tornou-se um dos mais abastados agricultores da região. A sua voz levantou-se, mais do que uma vez, pela defesa dos agricultores da região e contra as políticas agrícolas do governo de João Franco.
Aderiu ao Partido Republicano Português e iniciou um período bastante prolífico a nível político – presidiu à 1.ª sessão do Congresso do Partido Republicano, em Abril de 1908; envolveu-se activamente na preparação da revolta que viria a culminar com a queda da monarquia a 5 de Outubro de 1910; foi eleito ministro das Finanças a 11 de Outubro de 1910; foi embaixador de Portugal em Madrid entre Novembro de 1911 e os inícios de 1914; em Janeiro de 1919 foi chamado a formar Governo, que duraria apenas de 27 de Janeiro a 30 de Março desse mesmo ano.
Voltou a Alpiarça e, na sua Casa dos Patudos, passou os últimos anos de vida, ocupando o tempo com os seus negócios vitícolas e com a actividade de coleccionador. Viria a falecer a 31 de Outubro de 1929.


Bibliografia: José Relvas e a República, Fotobiografia de José Relvas, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Folhetim sobre a família Mascarenhas

Consultas médicas e apontamentos avulsos sobre o Centro de Saúde da Sertã

Enquanto em Lisboa os responsáveis dos dois principais partidos políticos dão um triste espectáculo, mostrando que nem um nem outro merecem governar o que quer que seja, no concelho da Sertã assiste-se ao arrastar de um problema, que nos coloca bem próximo de uma realidade de terceiro mundo. Falo das consultas médicas ou das dificuldades encontradas na sua marcação.
O último capítulo deste episódio foi denunciado pela Rádio Condestável que, na sua edição on-line, dá conta de que a população da freguesia do Carvalhal “está a deslocar-se de véspera à extensão do Centro de Saúde da Sertã (CSS) na localidade para conseguir obter uma simples consulta”.
Este problema é justificado por António Silva, coordenador do CSS, com base no facto da funcionária daquela extensão estar de férias, uma situação que foi agravada pela mudança do “esquema que habitualmente estava estabelecido”, visto que “o médico mudou e depois de alguns dias também teve férias”.
Mas António Silva, citado pela Rádio Condestável, disse mais: “o que está estabelecido [nesta extensão de saúde] é que teremos, numa semana uma consulta e noutra duas consultas”, adiantando que “é o que o apropriado para aquele posto médico que tem 500 utentes”. “Esta situação não se vai repetir e foi uma coincidência por causa das férias”, sublinhou.
No entanto, este episódio é apenas a ponta de um icebergue que tem vindo a ganhar uma dimensão razoável. Por exemplo, no Centro de Saúde da Sertã, são várias as queixas dos utentes que são obrigados a deslocar-se para a porta do edifício às três e quatro da manhã para conseguirem uma consulta.
É um facto que as coisas têm vindo a melhorar nos últimos tempos, mercê de algumas alterações operadas na marcação de consultas, contudo as filas noite dentro, à porta do centro de saúde, mantém-se.
E já que falamos no centro de saúde da Sertã, o que irá realmente acontecer ao actual edifício? A pintura a que foi sujeito servirá para lhe dar cara nova por mais umas décadas? Vai ser construído um novo centro? Estará o Ministério da Saúde disposto (em tempo de vacas magras) a investir mais dinheiro num concelho que ainda há menos de duas décadas foi dotado de um centro de saúde “moderno e novinho em folha”? E para terminar, como é que será resolvido o problema da falta de médicos com que se debate actualmente o Centro de Saúde da Sertã?