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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Memórias: Casa das Guimarães

Numa altura em que o país aperta o cinto (graças a um Governo que tardou em acordar para a realidade) e em que se comemoram os 100 anos da República, vamos aproveitar esta efeméride para trazer aqui uma recordação, que deveria fazer corar de vergonha todos os nossos governantes autárquicos dos últimos 20 anos. E até todos nós... cúmplices em tudo o que se passou.
A Casa das Guimarães fez correr litros de tinta pelos jornais locais, monopolizou debates em assembleias municipais e foi personagem principal em muitas conversas de café e de rua. E no fim, veio abaixo.
E porquê esta associação da Casa das Guimarães às comemorações dos 100 anos da República? Porque foi nesta casa que, em 1810, José de Mascarenhas Leitão e Bárbara Benedita Leitão viram nascer a sua filha Clementina Amália de Mascarenhas Pimenta, nada mais, nada menos que a avó paterna de José Relvas, o homem que, da varanda da Câmara de Lisboa, proclamou a República no dia 5 de Outubro de 1910.
Esta casa, que viria alguns anos mais tarde a ser oferecida por Romão de Mascarenhas a Ricardo Guimarães (como presente de casamento), guardava entre as suas paredes muitas histórias e memórias de noites grandiosas - nos finais do século XIX aí se faziam récitas de poesia e se assistiam a concertos de música.
Aqui fica a lembrança de uma casa que permanece no nosso imaginário. Que melhor sítio do que este para a instalação do museu da memória sertaginense...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Casa das Guimarães em risco de ruir

A Casa das Guimarães continua, na sua lenta agonia, a caminho da ruína. O imóvel, situado no centro histórico da vila e propriedade da Câmara da Sertã, necessita de obras urgentes e de uma eficaz intervenção que evite o seu desmoronamento.
Num artigo recente, a Comarca da Sertã dava conta do estado lastimoso deste espaço: “O átrio, detentor de artísticos pormenores, bem como o espaço seguinte, ainda estão intactos”. Todavia, “no piso principal, onde funcionou a cozinha, já nada se vê. Desabou o tecto e o chão, ficando os escombros depositados na cave”. “Quanto ao piso superior, ao cimo da escadaria, bem molhada pela chuva (…) a queda do telhado barrou o acesso”.

A Câmara da Sertã já por várias vezes fez saber das suas pretensões de reabilitar o imóvel, mas até ao momento nada foi feito. José Paulo Farinha defende mesmo a “importância da recuperação da apalaçada casa”, enquanto outros munícipes são da opinião que “a casa devia ser demolida”, até porque “representa um risco para os moradores mais próximos e para os transeuntes que por ali circulam”.
A questão da segurança é, aliás, um dos pontos que mais polémica tem levantado. Apesar da sinalização e de algumas fitas vermelhas colocadas pela autarquia para vedar o acesso àquela zona, a falta de civismo de alguns e a fraca resistência dos materiais utilizados facilitou o desaparecimento da respectiva sinalização.