segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cemitério da Sertã aberto à noite

Que a porta do cemitério esteja aberta durante o dia não causa qualquer estranheza, agora que isso aconteça à noite então talvez nem tudo esteja bem. Isso mesmo é o que tem sucedido no cemitério da vila da Sertã, que de quando em vez, se encontra aberto durante a noite, talvez aguardando algum visitante fora de horas.
A situação não é nova e os responsáveis autárquicos já foram alertados, apesar da responsabilidade pertencer, na quase totalidade dos casos, às pessoas que depois das horas de funcionamento visitam o cemitério, abrindo o enorme portão de ferro com uma chave que se encontra à mão de semear, mas não o fechando quando saem.
Seria bom que houvesse mais civismo e respeito da parte de todos aqueles que acorrem a este local fora dos seus horários de funcionamento.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Memórias: Fonte da Pinta


Nunca como hoje fez tanto sentido a ‘memória’ que aqui trazemos. A Fonte da Pinta, apesar de fisicamente ainda lá estar, parece não passar de uma recordação de todos quantos por ali passaram, descansaram, namoraram ou brincaram. Nos dias que correm, resta apenas o triste espectáculo de ver um ex-libris da Sertã entregue ao abandono e ao denso mato que cobriu por completo aquele amplo espaço que vemos nesta foto.
Não se sabe ao certo quando é que este local começou a atrair os sertaginenses, todavia temos notícia de que em 1898 se fizeram importantes melhoramentos na zona envolvente à fonte, dotando-a de melhores condições.
Ao longo do tempo, a Fonte da Pinta conheceu outras intervenções, de maior ou menor monta, contudo o local foi sendo votado ao esquecimento/abandono desde meados da década de 90, encontrando-se hoje num estado que a todos devia envergonhar.
Será que depois de se gastar/investir (escolha a sua opção) 120 mil euros na instalação de uma ponte pedonal na zona da Carvalha, não terão sobrado uns míseros euros para voltar a dar dignidade a um dos locais que permanece na memória de muitos. Ou será que a ideia é mesmo fazer daquilo uma simples memória?
Foto: Arquivo Fotográfico do Clube da Sertã

Estação dos CTT de Cernache com os dias contados?

Após o encerramento da FAFIC, esta é a notícia que tem dominado as conversas, sobretudo na zona de Cernache do Bonjardim: a transferência dos serviços prestados pelos CTT para a junta de freguesia local.
Na primeira versão desta história, a que a Rádio Condestável tem dado grande destaque, os CTT diziam ter contactado a junta para que esta assegurasse a distribuição postal à população (uma proposta estranha, uma vez que a distribuição de correspondência é feita a partir do Centro de Distribuição Postal da Sertã), ao passo que a junta de freguesia, pela voz do seu presidente, Diamantino Calado Pina, afirmava ter sido contactada pelos CTT para ficar com alguns dos serviços prestados na estação cernachense.
A Assembleia de Freguesia de Cernache do Bonjardim, reunida no passado dia 30 de Junho, esclareceu as dúvidas, com o presidente da junta a revelar a proposta que lhe chegara da parte dos CTT: a junta ficaria com a estação dos CTT de Cernache, já a partir do início do próximo ano (altura em que terá início a liberalização dos serviços postais), recebendo uma verba de 609,6 euros para fazer face às despesas com a contratação de um funcionário para a nova estação.
Entre as competências da junta, estariam incluídos todos os serviços prestados pelos CTT, com excepção do pagamento de impostos, IVA, IRS, IMI e Segurança Social.
Como seria de prever, a Assembleia de Freguesia recusou a proposta, que considera um “presente envenenado”, isto porque “irá contribuir para a desertificação”, sendo mais “um serviço e uma casa que fecha em Cernache” (citações recolhidas pela Rádio Condestável).
Depois do encerramento das escolas, a que se juntam agora mais duas no concelho (estranho silêncio dos nossos responsáveis sobre esta matéria), chegou a vez das estações de correio. Que a estratégia dos CTT, na sequência da liberalização dos serviços postais, passa por ‘deixar’ para os privados algumas das estações situadas em concelhos pouco populosos ou em sedes de freguesia disso parece não existir dúvidas, contudo seria bom que o autismo que estas estruturas têm revelado ao longo dos últimos anos, desrespeitando as populações do Interior e colocando em prática regras discricionárias, que não levam em linha de conta os interesses dos habitantes e das populações que deviam servir, desaparecesse de uma vez por todas.

E quando se fala em liberalizar os serviços postais, o que à primeira vista poderá ser uma boa notícia em termos de aumento da qualidade e da competitividade, terá de ser encarado com muita precaução. Veja-se por exemplo o que aconteceu no caso dos Notários, onde o Estado desempenhou um papel vergonhoso em todo o processo.

terça-feira, 22 de junho de 2010

FAFIC decorre de 24 a 27 de Junho

É já no próximo dia 24 de Junho (dia do município) que tem início a Feira Agrícola, Florestal, Industrial e Comercial (FAFIC) da Sertã. A edição deste ano terá como tema de fundo as energias renováveis e decorre nas duas margens da ribeira da Sertã, junto à Alameda da Carvalha.
O programa de iniciativas arranca, pelas 9h30m, com o hastear da bandeira nacional no Largo do Município, seguindo-se uma arruada pelo grupo Seca Adegas. Pelas 10 horas, terá lugar, em Cernache do Bonjardim, uma homenagem a São Nuno de Santa Maria – no dia em que se comemora o 650.º aniversário do nascimento deste ilustre sertaginense – e às 11 horas, será inaugurado o novo Centro Escolar de Cernache. Uma hora depois realiza-se uma missa campal no Seminário das Missões, presidida pelo Bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo.
A cerimónia de inauguração da FAFIC ocorrerá às 17 horas e pelas 18h30m a Filarmónica Aurora Pedroguense dá um concerto na Casa da Cultura. Às 21 horas, joga-se a final do torneio de futsal «Luís Gouveia», no pavilhão desportivo, e 15 minutos depois, no recinto da feira, actua a banda Pátrio das Cantigas. O cantor Pedro Barroso sobe ao palco pelas 22h30m e para fechar o dia, pelas 0 horas, actuam os Frying Fan.
Na sexta-feira (25 de Junho), o destaque vai para a conferência «Energias Renováveis», na Casa da Cultura, onde serão debatidos os temas «MédioTejo21: Actividades, parcerias e dinâmicas de actuação», «V112», «Os desafios energéticos do futuro», «O Parque Hidroeléctrico EDP – contributos para um sistema eléctrico mais sustentável» e o «Apoio ao investimento e à internacionalização».
Pelas 16 horas, terá início um conjunto de actividades de animação no «Espaço Aventura» e às 18h30m a equipa cinotécnica da GNR fará uma demonstração na Alameda da Carvalha. Meia hora depois arranca uma actividade equestre, a cargo da GNR.
A banda sertaginense Rocabylio abre a noite com um concerto (21h30m), seguindo-se Rita Redshoes (23h) e os Still (0h30m).
No sábado, o grupo de trabalho da Comissão Parlamentar da Inovação e Energia fará uma visita, antecedendo o passeio de motociclos do Clube Vespa e a arruada de filarmónicas (com a Sociedade Filarmónica Maçaense, Filarmónica Aurora Pedroguense e a Filarmónica União Sertaginense). Às 15 horas, teremos uma prova de perícia automóvel, junto à Escola Secundária, e quinze minutos depois actua o Grupo Instrumental do CCD da Câmara da Sertã, na Casa da Cultura. O XIV Grande Prémio de Trotinetes avança pelas 16h15m na rampa da Torrinha e a banda 4ever abre a noite de concertos quando o relógio marcar 21h30m. O conhecido artista Marco Paulo dá um concerto pelas 23 horas e os Sem Filtro encerram o dia com uma actuação pelas 0h30m.
O último dia (27 de Junho) arrancará com o torneio inter-freguesias do jogo da malha, a decorrer pelas 9 horas, no campo de treinos do Sertanense, seguindo-se novo passeio de motociclos. Durante a tarde, na Casa da Cultura, decorrerá um espectáculo onde tomarão parte o Rancho Folclórico do Clube Bonjardim, o Rancho Folclórico de Pedrógão Pequeno e o Rancho Folclórico e Etnográfico de Cernache do Bonjardim. A Filarmónica União Sertaginense actua no mesmo local pelas 19 horas.
Os conhecidos Popxula sobem ao palco pelas 21h15m e os ainda mais conhecidos Xutos e Pontapés repetem o gesto às 22h30m. A encerrar a FAFIC um espectáculo Pirómusical.

Aqui fica a sugestão para todos os que passarem pela Sertã durante este final de semana.

As ruas da Sertã: Rua Dr. Flávio Reis e Moura

Onde fica? Artéria situada junto ao Pavilhão Desportivo Municipal e que desemboca na rotunda que dá acesso, entre outros, ao terminal rodoviário

Quem foi? “O nome de Flávio Reis e Moura está indelevelmente gravado na história do concelho da Sertã. Um grande marco fica para sempre a assinalar a sua passagem: a electrificação de Sertã, Cernache e Pedrógão Pequeno”. Foi desta forma que Amaro Vicente Martins, director do jornal «A Comarca da Sertã», recordou na edição de 15 de Agosto de 1970 a figura de Flávio Reis e Moura.
O seu bilhete de identidade informava que nascera na ilha de Salsete (também conhecida por Concolim), perto de Goa. Filho do coronel Miguel da Silva Moura e de D. Perpétua Leonildes Simões dos Reis e Moura, Flávio Reis e Moura licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, tendo frequentado também o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras de Coimbra, o qual não viria a concluir.
Iniciou a sua carreira profissional como Delegado do Procurador da República na comarca das Caldas da Rainha, transitando depois para Alvaiázere, onde desempenhou as funções de notário.
Veio para a Sertã e por aqui ficou durante 29 anos, período em que assegurou as funções de notário, advogado e Delegado substituto do Procurador da República. Mas a sua actividade não se resumiu apenas ao exercício da sua profissão.
Assumiu a presidência da Câmara da Sertã na segunda metade da década de 1940 e por lá continuou até aos primeiros anos da década seguinte. “Homem distinto, excelente conversador, culto, esmerado na educação e elegante no trato, a sua convivência era aqui muito apreciada”, pode ler-se no mesmo artigo de Amaro Martins.
Ocupou também os cargos de presidente da Assembleia-geral do Sertanense (entre 1957 e 1961 e em 1964) e liderou os destinos do Clube da Sertã também por esta altura. Foi ainda comandante da Legião Portuguesa, vogal da Junta Distrital de Castelo Branco, delegado da Causa Monárquica e um dos fundadores da «Celinda», sociedade anónima proprietária do Centro Liceal Técnico da Sertã.
Em Julho de 1965, abandonou a Sertã e assumiu actividades em Lisboa no 8.º Cartório Notarial daquela cidade.
No dia 9 de Agosto soltou o seu último suspiro, tendo os seus restos mortais ficado sepultados no cemitério de Pedrógão Pequeno.


Fontes: jornal «A Comarca da Sertã», jornal «O Renovador», Sertanense: 75 Anos de História

Vitória de Sernache é colectividade de utilidade pública

A notícia foi veiculada ontem pela Rádio Condestável e anunciava que o Grupo Desportivo Vitória de Sernache foi considerado colectividade de utilidade pública. De acordo com aquela estação de rádio, “este era um título há muito ansiado em Cernache”, estando na base desta declaração os “relevantes serviços de ordem desportiva e social [prestados] à comunidade local onde se insere, através da promoção e dinamização do desporto junto de todas as camadas etárias, fomentando o ideal desportivo e a convivência social entre a população, com especial incidência na juventude, desde 1948”.
O novo estatuto do emblema vitoriano foi publicado em Diário da República, 2.ª série – N.º 118 – de 21 de Junho de 2010.
Aqui ficam os nossos parabéns ao Vitória de Sernache.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Povoações: Sambal (Marmeleiro)

Siga em direcção ao Marmeleiro, depois continue até às Sarnadas, tomando aí a estrada que lhe surge do lado direito e o conduzirá até à povoação do Sambal, que hoje destacamos nesta nossa secção.
Não se conhece muito sobre as origens deste lugar, situado na freguesia do Marmeleiro, apesar de sabermos que já existia no século XIII, devido aos registos encontrados nas Inquirições Régias do rei D. Dinis.
A explicação para o nome da povoação é algo que permanece obscuro, apesar de haver quem sugira ser uma corruptela do nome de um qualquer santo a que se prestaria culto por estes lados (a este propósito recordemos o caso do nome da povoação do Sambado que nos remete para a figura de São Beda, um monge beneditino do século VII).
Há contudo que admitir que as origens do Sambal podem ser mais remotas, isto porque é sabido que por aqui passava uma antiga via romana que ligava Emerita Augusta (actual Mérida, em Espanha) a Conimbriga, como o atestam os diversos vestígios encontrados na estação arqueológica dos Vales da Longra (situada nas proximidades) e também a ponte dos Três Concelhos, localizada a poucos metros do Sambal, e que era parte integrante desta mesma via.
Aliás, a ponte dos Três Concelhos é o grande ponto de interesse das redondezas. A ponte, que atravessa a ribeira da Isna, faz fronteira com os concelhos de Vila de Rei e Mação e é composta por três arcos, apresentando vestígios de inúmeras intervenções, a última das quais efectuada nos últimos anos do século XX. Era por muitos apelidada de ponte Romana ou ponte dos Mouros e a sua importância estratégica está sublinhada em diversos documentos antigos disponíveis na Torre do Tombo.
Voltando ao Sambal, os censos efectuados pelo rei em 1527 dão conta de que nesta zona existiam apenas três fogos, não se fazendo menção ao número de habitantes. Duzentos anos depois (em 1730), esse número baixou para um fogo, não se sabendo se era habitado.
Nos séculos seguintes, não há registo de que tenham existido casas por aqui, ou mesmo habitantes, um cenário que se inverteu a partir do século XX, quando se iniciou a construção de alguns fogos. Hoje, o Sambal deve ter cinco a seis casas, algumas delas habitadas, sendo contudo um retrato fiel daquilo que se passa na maioria dos lugares do concelho da Sertã, onde a desertificação impera.

sábado, 19 de junho de 2010

Jornais antigos: Pátria de Celinda

“Pela Verdade e pela Justiça”. Esta era a frase que surgia no cabeçalho de todos os números do semanário independente Pátria de Celinda, que se publicou na Sertã entre 4 de Fevereiro de 1917 e 21 de Agosto de 1921.
No seu primeiro número, o director Ernesto Marinha escrevia que a nova publicação “não vem acorrentada a partidos; não traz compromissos de espécie alguma; apreciará, no entanto, com justiça, a marcha da política local, pugnando com intransigência pelos interesses legítimos da Certã e dos povos que mais estreitamente lhe estão ligados pelas relações económicas, políticas e administrativas”.
Todavia, este primeiro número da Pátria de Celinda ficaria para a história por um acaso do destino. Quando o jornal estava prestes a ser imprimido, uma terrível notícia chegou à redacção – o edifício dos Paços do Concelho, situado naquilo que é hoje o miradouro Caldeira Ribeiro, estava em chamas. Não podendo alterar a estrutura do jornal, Ernesto Marinha resolveu retirar uma pequena notícia que havia colocado na página 3, aproveitando para aí fazer eco do acontecimento. A edição seguinte trazia o resto da história, de forma mais pormenorizada.

Teatro regressa à Sertã

O teatro parece estar de volta à Sertã. Depois do dinamismo que esta arte conheceu no concelho nas primeiras décadas do século XX, e também durante os anos de 1980, parece ser desta que a Sertã vai voltar a ser sede de grupos dedicados à Quinta Arte (segundo a classificação do Manifesto das Sete Artes elaborado por Ricciotto Canudo, em 1911).
A primeira boa notícia vem do Grupo de Teatro do Agrupamento de Escolas da Sertã que se apresenta, no próximo dia 20 de Junho, pelas 21h30m, no Cine-Teatro Tasso, levando à cena a peça «Copo meio vazio», da autoria de Alexandre Andrade.
Além disso, tem corrido insistentemente a notícia de que está em preparação mais um grupo de teatro na vila. A iniciativa parece estar em fase de maturação e aguardam-se novos desenvolvimentos para os próximos meses.
Duas boas notícias para a cultura sertaginense.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Luís Vaz de Camões no Cabril

Luís Vaz de Camões é por muitos considerado um dos maiores vultos da nossa literatura e da sua pena nasceu talvez uma das obras mais celebradas pelo povo português, Os Lusíadas.
Da vida deste escritor pouco se sabe. Terá nascido em Lisboa, estudado em Coimbra e deambulado por meio mundo. E neste meio mundo terá cabido o concelho da Sertã, ou pelo menos as suas margens.
A história é simples, apesar de não existirem evidências históricas que comprovem aquilo que vamos narrar. Corria o ano de 1548 (mais coisa, menos coisa), quando “Camões desterrado da Corte, e errante pelo Ribatejo” terá feito “uma excursão até Pedrógão” Grande, tendo recolhido ao Convento Dominicano de N.ª S.ª da Luz, na confluência do rio Zêzere com a ribeira de Pêra. Diz-se que por ali esteve para “recuperar de amores” e que era grande fã da zona do Cabril, aquele vale maravilhoso que marca as paisagens de Pedrógão Pequeno e Grande, e que o rio Zêzere separa. Por lá se perdia em grandes passeios, apesar dos seus locais preferidos estarem junto ao convento de N.ª S.ª Luz, a quem Miguel Leitão de Andrade dedicou grande atenção na sua Miscelânea.
A passagem por terras do Cabril ficou imortalizada no poema «Oh! Pomar Venturoso», que Luís Vaz de Camões haveria de dedicar ao convento que lhe servira de refúgio.
Reproduzimos em seguida algumas das passagens deste poema: “ Oh Pomar venturoso,/Onde co’a natureza/A sutil arte tem demanda incerta,/Que em sítio tão fermoso,/A maior sutileza,/Do engenho em ti nos mostra descuberta/Nenhum juízo acerta,/De cego e de enlevado,/Se tem em ti mais parte/A natureza ou arte,/ Se terra ou ceo de ti tem mais cuidado;/Pois em tão bom terreno,/Gozas o ar mais puro e mais sereno”.