quarta-feira, 29 de junho de 2011

Fotógrafos sertaginenses expõem em Lisboa

Os artistas sertaginenses continuam a dar cartas um pouco por todo o país. Depois da excelente vitória alcançada pelos músicos Miguel Calhaz e Marco Figueiredo, no festival «Cantar Abril», que decorreu em Almada (http://www.youtube.com/watch?v=v2rvj9-dNa0&feature=related), agora é a vez dos fotógrafos Ângelo Lucas e Humberto Sarmento darem a conhecer uma parte das suas obras nas ruas de Lisboa.
Os dois fotógrafos participam na iniciativa «Lisboa 2011 – A Maior Exposição Fotográfica do Mundo», que se propõe mostrar “exposições de fotógrafos nacionais, internacionais ou mesmo prémios internacionais de fotografia”. A ideia é transformar a cidade alfacinha “numa imensa galeria da arte de fotografar”, sintetizou Aurora Diogo, da organização.
Ângelo Lucas ocupa dois espaços diferentes da cidade de Lisboa. No Casino de Lisboa, apresentou a exposição «áDeriva», que segundo as palavras do próprio, publicadas no website da organização, “não pretende ser um todo homogéneo de imagens. Não conta nenhuma história e não serve nenhum objectivo especifico em conjunto, a não ser talvez o de ser vista e quem sabe, apreciada, foto a foto. Cada imagem nela, é um objecto individual, autónomo, um momento, uma situação, um sítio, uma coisa ou até coisa nenhuma...no fundo àDeriva”.
Quanto à segunda exposição, patente nas arcadas Nascente do Terreiro do Paço, o fotojornalista dá uma visão muito própria do Líbano. A exposição, intitulada «Todos os mundos cabem ali», mereceu as seguintes reflexões de Ângelo Lucas: “O Líbano está ao lado de Israel onde também fica a Palestina. Israel e o Líbano estão há muitos anos num estado de guerra latente, que de vez em quando degenera em conflitos violentos, palestinianos e israelitas disputam desde sempre as mesmas terras e também muitas vezes se chocam violentamente”.
Já Humberto Sarmento teve oportunidade de mostrar a sua exposição «O Douro», no interior da Estação de Santa Apolónia. “Falar do Douro, não é apenas falar de um rio ou de uma região. É muito mais do que isso... é falar de toda a sua história e das suas gentes, que o tornam tão especial. Conhecer o Douro não é apenas visitar a região, é partir numa viagem à descoberta de um lugar único, com uma história, cultura e pessoas únicas”, escreveu o fotógrafo sertaginense no website.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Sertã volta a receber final de etapa da Volta a Portugal

A Sertã vai ser novamente palco de uma chegada da Volta a Portugal em bicicleta. A primeira, e única vez, em que isso sucedeu foi em 1976, ou seja, há precisamente 35 anos. O concelho sertaginense receberá, no dia 14 de Agosto (domingo), a penúltima etapa da volta deste ano. A etapa terá partida da Covilhã, não se conhecendo ainda o percurso final, nem quais os locais por onde circularão os corredores.
A Volta a Portugal de 2011 terá 10 etapas, a que se somará o prólogo inicial a disputar, no dia 4 de Agosto, pelas ruas da cidade de Fafe. A etapa que termina na Sertã será antecedida pela ‘tirada rainha’ da prova, precisamente a que tem o seu epílogo na Torre (Serra da Estrela).
Mas recuemos no tempo até 19 de Agosto de 1976 (quinta-feira), o dia em que a Sertã se vestiu de gala para receber, pela primeira vez, uma chegada da Volta a Portugal em bicicleta. A mais longa etapa desse ano ligou Évora à Sertã, numa distância de 185 quilómetros. No final, e perante um enorme banho de gente, Marco Chagas (da equipa Costa do Sol) venceu a tirada, deixando atrás de si Firmino Bernardino (Benfica) e Manuel Silva (FC Porto). Os ‘históricos’ Venceslau Fernandes (Sangalhos) e Joaquim Andrade (Safina) ficaram nas posições seguintes.
O sucesso da chegada da Volta à Sertã foi assinalado pelos principais jornais da época. O jornal «A Bola» escreveu: “Foi impecável a organização da Sertã (…). Uma comissão, da qual faziam parte, entre outros entusiastas, Fiel Farinha, ex-presidente da FPC, Ângelo Farinha, Raul Rodrigues, Amâncio Carvalho e José Maria, conseguiu organizar uma chegada de excelente nível”.
Por sua vez, no jornal «Record» podia ler-se: “Não queremos deixar de fazer uma especial referência à forma como a volta foi recebida na vila da Sertã (…). Ruas completamente lotadas [a linha de meta estava instalada na avenida Gonçalo Rodrigues Caldeira]. Arcos coloridos e alegóricos no enfeite das mesmas. Foguetes a estrelejarem no ar. Uma recepção impecável, em todos os aspectos de organização, quer aos ciclistas quer a toda a caravana”.
No dia seguinte (20 de Agosto de 1976) a Sertã assistiu à partida da etapa que haveria de ter o seu término na Mealhada. O vencedor foi Manuel Caetanita, do Almodôvar. Quanto ao ciclista que triunfou na Volta de 1976, o seu nome foi Firmino Bernardino (Benfica).

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Interior esquecido – reflexões a propósito do discurso de Cavaco Silva

O presidente da República fez, no passado dia 10 de Junho, um discurso que peca por tardio. A mensagem é válida, actual e pertinente mas não deixa de causar alguma sensaboria que, só em Junho de 2011, e depois de todos os avisos/apelos feitos ao longo dos anos para as assimetrias criadas entre o Litoral e o Interior, para o despovoamento, para a falta de oportunidades de quem optava por resistir à tentação de partir, a preocupação com o Interior tenha-se tornado efectiva. Mas isso não é culpa apenas de Cavaco Silva – o primeiro que falou deste problema sem ser em campanha eleitoral – apesar de o presidente da República também ter a sua culpa no cartório pelo estado a que chegou o Interior do nosso país. Contudo, honra lhe seja feita por ter levantado a questão, ainda para mais num período tão decisivo para Portugal.
Para já, peguemos nas palavras de Cavaco Silva e tentemos perceber o que nos quis dizer o presidente da República. O seu discurso começou de modo lapidar: “Ao escolher Castelo Branco para palco destas celebrações do dia 10 de Junho, pretendo trazer o Interior do país para o centro da agenda nacional, alertando para a questão das desigualdades territoriais do desenvolvimento e para os problemas da interioridade, do envelhecimento e do despovoamento de uma vasta parcela do nosso território”.Com esta frase, Cavaco Silva caracterizou, de forma quase perfeita, aquilo que é actualmente o Interior português, onde o concelho da Sertã se inclui.
Apesar de admitir que este cenário é resultado de “uma tendência estrutural, que não nasceu, sequer, nas últimas décadas”, o presidente lembra – e bem – “o menosprezo dos poderes públicos pela realidade do Interior”, que “obrigaram gerações inteiras a deixar as suas terras, umas vezes rumo ao estrangeiro, outras concentrando-se nas grandes cidades do Litoral, que cresceram de forma desmesurada e, mais ainda, desordenada”.
E a questão do despovoamento surge aqui como central no discurso de Cavaco, que a ela relaciona problemas como o envelhecimento e os fluxos migratórios, “mas também problemas sociais e económicos, como a fragilização dos laços familiares, o desemprego e a delapidação da riqueza criada com muito trabalho e com muitos sacrifícios”. Basta olhar para as vilas e aldeias despovoadas, com as casas a cair e os terrenos, que tanto produziram no passado, votados ao abandono.
O ‘dedo na ferida’ veio logo a seguir: “Portugal foi-se tornando um país desequilibrado, um território a duas velocidades do ponto de vista da distribuição da sua população, mas também no que toca à valorização dos seus activos e ao aproveitamento integral dos seus recursos”.
“O Interior, que contém grandes potencialidades, nomeadamente na agricultura e no turismo, deixou de as aproveitar por uma razão muito simples: perdeu capital humano para o fazer”. E aqui Cavaco falou de duas das mais penosas realidades do Interior, a agricultura e o turismo. Se no primeiro caso, o presidente da República foi um dos grandes responsáveis, enquanto primeiro-ministro, pela forma como a nossa agricultura foi desbaratada e entregue aos senhores de Bruxelas, já no caso do turismo os grandes responsáveis foram os sucessivos governos que tiveram vistas curtas para esta realidade e as autarquias que não souberam definir estratégias coerentes e corajosas que pudessem fazer dos seus concelhos destinos turísticos atractivos. A falta de coordenação entre as câmaras municipais, neste ponto, é também ela desejável.
No que toca à questão do despovoamento, não posso deixar de concordar com Cavaco Silva que chama a atenção para os efeitos nefastos desse mesmo despovoamento e, sobretudo, para aquilo que foi o menosprezo a que o poder em Lisboa condenou as gentes destas regiões. Prometeram-se mundos e fundos e pouco chegou. Não basta dizer que veio muito dinheiro de Bruxelas para as estradas e infra-estruturas da região, até porque, como bem sabemos, o desenvolvimento sustentado não se compadece apenas com estas obras de circunstância que falham quase sempre no essencial.
Mas não podemos culpar apenas o poder central pelo despovoamento, até porque as autarquias locais (apesar de terem assumido um papel fundamental na manutenção da vitalidade que algumas regiões do Interior do país ainda demonstram) têm também culpas no cartório, sobretudo porque foram incapazes de implementar políticas (e não medidas avulsas) que ajudassem na fixação das populações e na atractividade de empresas. É preciso lembrar que o problema não começou com a crise e a incapacidade para dar a volta à situação é visível em algumas autarquias, que infelizmente se partidarizaram em demasia, esquecendo a sua verdadeira função: servir os cidadãos.
Mas isso são contas de outros rosários, porque como bem disse António Barreto, no dia 10 de Junho, “os políticos devem respeitar os empresários e os trabalhadores, o que muitos parecem ter esquecido há algum tempo. Os políticos devem exprimir-se com verdade, princípio moral fundador da liberdade, o que infelizmente tem sido pouco habitual. Os políticos devem dar provas de honestidade e de cordialidade, condições para uma sociedade decente”.
Perante isto, espero que as mentalidades dos nossos decisores políticos possam mudar, para que não voltemos a lamentar-nos disto daqui a 30 anos. Além da agricultura e do turismo, o Interior tem enormes potencialidades em áreas como a floresta e as energias renováveis, que urge aproveitar. Mas não só: “A principal potencialidade do Interior está, no entanto, no espírito que caracteriza as suas populações, as gentes desta terra”.
Antes de terminar apenas uma nota para uma passagem do discurso de Cavaco Silva, em que este lança o apelo para que se preservem tradições e mantenham os vestígios da memória, salvaguardando o património material e imaterial que nos foi legado. Que bom que era que na Sertã, por exemplo, este apelo fosse seguido, para que não nos voltássemos a lamentar de que mais um pedaço de história sertaginense se perdeu… como já tantas vezes sucedeu.

Foto: Presidência da República

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ExpoCastelo inaugura a sua sexta edição

É já na próxima sexta-feira que tem início a sexta edição da ExpoCastelo, que decorre até domingo. O certame, organizado pela Junta de Freguesia do Castelo, realiza-se no pavilhão desportivo local e conta com cerca de 40 expositores.
O artesanato, a gastronomia e os produtos regionais estarão em destaque na edição deste ano, que conta também com um extenso programa de actividades. Assim, no dia 10 de Junho (sexta-feira), a ExpoCastelo será inaugurada pelas 19 horas, seguindo-se a apresentação de trabalhos dos alunos do jardim-de-infância e do 1.º ciclo, sobre o tema do «Ano Internacional da Floresta». Pelas 21h30m, serão entregues os diplomas aos melhores alunos do 12.º ano, assim como lembranças aos alunos do jardim-de-infância e do 1.º ciclo. A fechar a noite (23h) avança o espectáculo do artista Sillas da Guitarra e Banda Via Brasil.
O segundo dia deste evento tem início pelas 15h30m, com vários depostos radicais (Kart-Cross e Moto 4). Às 21h30m, será apresentada a Escola de Música do Castelo, seguindo-se a actuação do Grupo de Cantares «Os Maçaenses». A artista Isamar actua pelas 23 horas.
No domingo, tem lugar uma prova de trial 4x4 (início às 14h) e um encontro de artistas de concertina e acordeão (16h). A encerrar as festividades, actua o artista Dinis Brites.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Portugal vai a votos no próximo dia 5 de Junho

As eleições legislativas do próximo dia 5 de Junho trazem, desde logo, um dado novo. Independentemente do resultado das eleições, o ‘vencedor’ será sempre o ‘partido da Troika’ (não confundir com as troikas que se foram fazendo durante os tempos do regime soviético), que por cá deixou as linhas gerais daquilo que terá de ser feito em Portugal nos próximos três anos. E desengane-se quem achar que se podem contornar as medidas previstas – se isso acontecer fecha-se a torneira dos euros. Posto isto, qual é o principal motivo de interesse destas eleições? Saber apenas quem terá a espinhosa missão de colocar em prática o memorando de entendimento celebrado entre Portugal e a já famosa Troika (EU, BCE e FMI).
Olhando para o espectro de candidatos às eleições legislativas, apetece dizer que a Oeste nada de novo. A palavra renovação parece não ter entrado no léxico dos principais partidos portugueses que, no caso do distrito de Castelo Branco, repetem os cabeças de lista: José Sócrates (PS) e Costa Neves (PSD). Contudo, no caso das outras forças partidárias, as estruturas distritais resolveram avançar com novos nomes.
Analisando os candidatos, comecemos pela equipa liderada por José Sócrates, primeiro-ministro demissionário e número um da lista socialista por Castelo Branco. Dele já quase tudo se disse, sobretudo da sua dificuldade em ver e conceber a realidade do país tal como ela é – o seu comportamento durante a crise da dívida portuguesa e o pedido tardio de ajuda poderá ter custado a Portugal muitos anos de crescimento. E nem sequer vale a pena recordar que, durante os seus seis anos de Governo, foi adiando boa parte das reformas estruturais (justiça, administração central e local) de que o país precisava e que terá agora de fazer em meses. Mas nem tudo foi mau e a aposta na qualificação dos cidadãos e nas energias renováveis está aí para o provar.
Devido ao facto do cabeça-de-lista do PS ter sido primeiro-ministro é difícil analisar, de forma precisa, a actividade dos seus eleitos na defesa dos interesses do distrito. Mas a sensação que fica é a de uma enorme decepção, como tem provado a campanha até aqui, centrada, quase exclusivamente, na construção do IC31 e no pagamento de portagens na A23. Claro que a cada visita aos concelhos do distrito, lá surgem as medidas de circunstância e aquelas que mais dizem às populações – no caso da Sertã, é curioso verificar a romaria de políticos que tem visitado o IVS, solidarizando-se com as pretensões dos seus responsáveis…
No caso do PSD, o nome do açoriano Carlos Costa Neves volta a encabeçar a lista por Castelo Branco. Não deixa de ser surpreendente esta escolha, sobretudo de alguém que não conhece minimamente o distrito e cuja acção parlamentar em prol do mesmo foi pouco relevante – as perguntas que dirigiu ao Governo versaram apenas sobre a construção da barragem da Ribeira das Cortes, o acesso à saúde do concelho de Vila de Rei, a ambulância com suporte de vida em Oleiros, a recuperação do edifício do hospital do Fundão, o encerramento de escolas do 1.º ciclo, as portagens na A23 e a desertificação do território. Pouco para quem tanto prometeu!!!
Não deixa de causar alguma estranheza esta insistência do PSD em candidatar, por Castelo Branco, pessoas que não têm qualquer ligação ao distrito – lembram-se de Maria Elisa e Nuno Morais Sarmento? Mais estranho ainda é quando, em quase todas as acções de campanha social-democrata no distrito, o n.º 2 da lista Carlos São Martinho ser a figura em destaque e, para muitos, a escolha natural para n.º 1 da lista.
Não abordaremos, por ora, o programa eleitoral de cada um destes partidos, sobretudo porque ambos se têm esforçado em esconde-lo. O PS insiste nas medidas que já estavam nos programas de 2005 e 2009, ao passo que o PSD apresenta um programa, que parece ter dificuldades em defender junto do eleitorado. Daí que o debate eleitoral se concentre em minudências e coisas inconclusivas. A melhor forma de falar de tudo e de não discutir nada.
Sobre os outros partidos que se apresentam a eleições, o CDS de Paulo Portas escolheu Celeste Capelo para encabeçar a lista dos centristas por Castelo Branco, uma lista onde o sertaginense Pedro Jesus surge em segundo lugar. Não será fácil a este partido eleger um deputado por este círculo, sobretudo se atendermos ao facto de que só em 1976 e 1983, o CDS alcançou tal desiderato.
Ainda assim, esta força partidária parece animada pelas últimas sondagens e pela dinâmica de campanha imposta pelo seu líder.
Do lado do Bloco de Esquerda, Fernando Proença é o cabeça-de-lista e o principal objectivo deverá ser, concerteza, melhorar os 9,06 por cento alcançados nas legislativas de 2009 e que transformaram os bloquistas na terceira força partidária mais votada no distrito.
Vítor Reis Silva será, por seu lado, o candidato da CDU, uma coligação entre o PCP e «Os Verdes», que tem vindo a perder representatividade no distrito. Longe vão os tempos em que a Aliança Povo Unido (coligação entre PCP, «Os Verdes» e MDP/CDE) chegou aos 12,41 por cento no distrito, o que sudeceu em 1979. Como CDU, o melhor resultado foi alcançado em 1987, com 7,10 por cento dos votos.
Pelo círculo de Castelo Branco, concorrem ainda mais cinco partidos: PPM (Pedro Miguel Martins é o cabeça-de-lista), PCTP-MRPP (Rui Oliveira Duarte), Movimento Esperança Portugal (Gonçalo Rebelo Pinto), Partido Nacional Renovador (João Coutinho) e Partido pelos Animais e pela Natureza (Maria Teresa Correia).

Candidatos às eleições legislativas pelo círculo de Castelo Branco:

PS (José Sócrates, Fernando Serrasqueiro, Hortense Martins e Valter Lemos)
PSD (Carlos Costa Neves, Carlos São Martinho, Ana Rita Calmeiro e Álvaro Baptista)
CDS/PP (Celeste Capelo, Pedro Jesus, Aires Patrício e Maria da Graça Sousa)
BE (Fernando Proença, Cristina Guedes, António Pinto e Neli de Ascenção Pereira)
CDU (Vítor Reis Silva, Joaquim Bonifácio da Costa, Marisa Tavares e António de Matos)
PCTP/MRPP (Rui Duarte, José Marrucho, Rosaria Baptista e Luís Mendes)
PPM (Pedro Martins, Tiago Cesário, Susana Mourão e Rafael Peres)
MEP (Gonçalo Pinto, Pedro Venâncio, Maria Teixeira e Jorge Azevedo)
PNR (João Coutinho, João Figueira, Isabel Cruz e Carlos Taborda)
PNA (Maria Teresa Correia, Joaquim Fernandes, Joana Lopes e Ana Catarina dos Santos)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Vitória de Sernache fecha época em beleza com conquista da Taça de Honra

O Vitória de Sernache encerrou a sua época em grande, com a conquista da Taça de Honra de Castelo Branco, depois de ter ficado a um passo da subida à 3.ª Divisão no Campeonato Distrital.
Depois de um início de época pouco espectacular, a formação do Vitória de Sernache assinou uma recuperação, a todos os níveis, notável no Campeonato Distrital e chegou mesmo a colocar em risco a mais do que anunciada subida do Penamacorense à 3.ª Divisão.
A equipa vitoriana terminou a primeira fase do Distrital, na terceira posição, somando 37 pontos (11 vitórias, 4 empates e 5 derrotas), marcando 38 golos e sofrendo 18.
Na segunda fase, o Vitória de Sernache não deu hipóteses, vencendo sete dos 10 jogos disputados e sofrendo apenas uma derrota. Não fosse, o melhor coeficiente de pontos que a turma de Penamacor trazia da primeira fase e hoje seriam os comandados de Filipe Avelar a festejar o título.
No entanto, esse título chegou mesmo, no passado domingo, com a vitória sobre o Oleiros, na final da Taça de Honra. Os quatros golos (Maçaroco, Rabat, Santolini e Dário) sem resposta expressaram bem o domínio exercido durante a partida e foram o corolário de um final de época sempre em ascensão – a equipa não perde um jogo desde 13 de Março.
Deixamos em seguida, os jogadores que alinharam ao longo da época pelo Vitória, que começou por ser treinado por Simões Gapo, que viria, mais tarde, a ser substituído primeiro por António Joaquim e depois por Filipe Avelar.
Plantel: Tiago Ribeiro, João Luís, Toni, André Vieira, Dário, Maçaroco, Jorge Pinheiro, Rodrigo, Filipe Avelar (mais tarde assumiu o lugar de treinador), David Vieira, Tiago Farinha, Gameiro, ‘Velho’, M’Passo, Ricardo André, Rabat, Santolini, Rui Barrela e João Gaspar.
O melhor marcador do Sernache, ao longo da prova, foi Rabat.
Aqui ficam os nossos parabéns aos jogadores, equipa técnica e a toda a direcção do Vitória de Sernache pelas conquistas desta época.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Reflexões sobre a revisão do mapa autárquico: a Troika, o país e a Sertã

Primeiro foi José Sócrates (o ‘nosso’ ilusionista preferido) a anunciar o que não estava e depois Teixeira dos Santos a dizer o que estava. As medidas previstas no memorando de entendimento, assinado entre o Governo demissionário e a Troika, não são simpáticas para Portugal e podem mesmo ser vistas como um atestado de incompetência, e de cobardia, aos políticos nacionais por aquilo que já deviam ter feito e não fizeram.

Considerações à parte e como as principais medidas já foram bastante escalpelizadas ao longo dos últimos dias, sobretudo aquelas que mais directamente afectarão os portugueses, vamos deter-nos no capítulo que diz respeito aos municípios e freguesias.

Já aqui dissemos, por mais de uma vez, que o país teria de fazer uma revisão do seu mapa autárquico idêntica à que, em 1834, levou à extinção de mais de 400 concelhos, entre eles o de Pedrógão Pequeno.

No início da primeira legislatura de José Sócrates, o assunto foi alvo de discussão, mas o processo nunca avançou, isto porque o Governo temia os efeitos, e as prováveis ondas de choque, que essa revisão teria junto das populações. Há alguns meses, esta matéria voltou a entrar na agenda política do primeiro-ministro, não tanto por sua vontade mas devido às iniciativas das câmaras de Lisboa e Porto que apresentaram planos ambiciosos de redução do seu número de freguesias.

Não existem dúvidas de que esta revisão é fundamental para um melhor funcionamento da administração local, sobretudo num país em que o dinheiro não abunda e em que obras faraónicas têm esvaziado os cofres do Estado. Claro que nem todos pensam assim, quiçá temendo o fim de algumas mordomias ou de verem reduzidas a pó magistraturas de poder que são exercidas, infelizmente, em nome de interesses partidários em muitas das câmaras do país.

Todavia, é preciso notar que este tipo de processos de revisão exigem critérios muito bem definidos (o critério da população parece-me um pouco restritivo e mesmo falacioso) e o envolvimento de todos os agentes que são actores neste processo, desde as populações até aos seus representantes políticos e passando também pelas forças vivas de cada um dos concelhos. É fundamental que os critérios não sejam cegos e que o processo não seja apenas político, uma vez que, neste caso, arriscamo-nos aos lóbis do costume e às negociatas de ocasião.

O memorando de entendimento, assinado entre a Troika e o Governo, obriga o próximo Executivo a desenvolver, até Julho de 2012, um plano para “reorganizar e reduzir significativamente” o número de municípios e freguesias. Estas alterações terão de estar concluídas até às próximas eleições autárquicas, em 2013.

Olhando para a actual estrutura do país, temos 308 municípios e 4.259 freguesias. É sobre esta realidade que o processo de revisão irá assentar.

No caso particular da Sertã, não será difícil de imaginar que uma parte das 14 freguesias do concelho desaparecerá. Informações vindas a público, por ocasião da revisão que o primeiro Governo de Sócrates quis operar no mapa autárquico, indicavam que o município sertaginense ficaria reduzido a nove freguesias ou talvez menos.

A provável extinção de alguns dos concelhos vizinhos da Sertã também foi aventada, nomeadamente Vila de Rei e Oleiros, com as suas freguesias a serem distribuídas pelos municípios circundantes ou a serem alvo de extinção.

A formulação deste tipo de cenários exige, todavia, algum cuidado, até porque, segundo o memorando, este processo de revisão partirá da estaca zero, sendo de admitir todas as hipóteses.

Posto isto, importa aqui referir que, depois de 2013, Portugal apresentará um novo figurino na sua administração local, com as câmaras a terem menos dinheiro para gastar e a terem de efectuar gestões mais rigorosas e com menos trabalhadores nos seus quadros. Ou seja, a filosofia de gestão terá de mudar e o dinheiro terá de ser mais bem gasto.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sertanense fez brilharete na 2.ª Divisão

O Sertanense terminou, este fim-de-semana, a sua presença no Campeonato Nacional da 2.ª Divisão (Zona Centro), alcançando um brilhante quinto lugar na classificação final, em resultado das 14 vitórias, sete empates e nove derrotas. Marcaram-se 29 golos e sofreram-se 25.
Era difícil exigir mais a uma equipa que durante toda a prova andou sempre nos lugares da frente (o Sertanense nunca baixou do quinto lugar) e que chegou a lutar, durante várias jornadas, pelo acesso ao playoff de subida à II Liga.
A formação sertaginense teve pela frente uma série dificílima, que contava com equipas como o Boavista, Padroense (que venceu a prova), Gondomar, Tondela, Sporting de Espinho ou Tourizense, bem mais apetrechadas e com orçamentos superiores ao do Sertanense. Ainda assim, não se atemorizou e mostrou ao mundo futebolístico nacional que no Interior do país ainda se joga futebol de qualidade – se dúvidas houvesse, bastaria aqui citar o exemplo da excelente vitória (2-0) diante do Boavista, um dia que, concerteza, sócios e adeptos não vão esquecer tão cedo.
Como tão cedo não vão esquecer que, no final da primeira volta, o Sertanense estava em segundo lugar a apenas um ponto do líder da prova, o Tondela.
Para a posteridade, fica mais uma página de ouro da história do clube, que soube honrar o seu nome e o da Sertã.
Deixamos aqui os nomes dos heróis que dentro de campo conduziram a equipa até ao quinto lugar, com um referência também para o treinador José Bizarro.
Plantel: Paulo Salgado (15 jogos), Pedro Fernandes (16 jogos), Luís Pedro (1 jogo); Hugo Ventosa (25 jogos), André Santos (25 jogos), Pedro Miguel (23 jogos e 1 golo), Adilson (28 jogos e 3 golos), António (21 jogos), Gil Barros (25 jogos), David Ferreira (1 jogo); Leandro (28 jogos), Neio (8 jogos), Idris (28 jogos e 2 golos), Casquinha (22 jogos), Alex (8 jogos), Danny (7 jogos e 3 golos), Valdinho (14 jogos e 2 golos), Fábio Ferreira (9 jogos), Leo Oliveira (23 jogos), Brito (15 jogos e 1 golo); Luís Fernando (17 jogos e 3 golos), Toni (23 jogos e 5 golos), Marco Farinha (9 jogos e 3 golos) e Júlio (26 jogos e 6 golos).
Os nossos parabéns a todos os jogadores, técnicos e à Direcção do Sertanense pelo excelente trabalho realizado.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Sertã em 1777

Façamos uma viagem no tempo até à Sertã do ano de 1777, altura em que a rainha D. Maria I subiu ao trono e os portugueses assinavam o Tratado de Santo Ildefonso com Espanha, resolvendo assim a disputa pela posse da colónia sul-americana de Sacramento (localizada no actual Uruguai).
Por esta altura, o actual território do concelho da Sertã estava divido em dois municípios: Sertã e Pedrógão Pequeno (este último viria a ser suprimido em 1834).

A agricultura era a principal actividade da população, destacando-se a cultura do azeite que foi, durante séculos, o principal meio de subsistência dos habitantes. Segundo vários documentos da Casa do Infantado e do Almoxarifado da Sertã, existiam mais de dez lagares nos limites dos dois concelhos (só na freguesia da Sertã eram quatro).

O concelho da Sertã era composto por 10 freguesias (Sertã, Várzea dos Cavaleiros, Cernache do Bonjardim, Troviscal, Nesperal, Palhais, Ermida, Marmeleiro, Castelo e Cabeçudo) e o de Pedrógão Pequeno por duas freguesias (Pedrógão Pequeno e Carvalhal). As freguesias da Cumeada e do Figueiredo ainda não haviam sido criadas.

A população total dos dois municípios ultrapassava os 11 mil habitantes, espalhados por mais de 200 lugares.

A vida por estas paragens não era fácil, como o atesta um manuscrito depositado na Torre do Tombo e que terá sido redigido por um habitante da vila nos finais do século XVIII: “(…) Onde não tinhão os olhos liberdade para se divertirem, pois os campos não tinhão efeites, flores o ornato das plantas, frutos hortas e a delia das fontes”.

A Sertã era uma das quatro alcaidarias-mores do Priorado do Crato, juntamente com o Crato, Belver e Amieira, tendo por isso o direito a ter alcaide-mor e alcaide-menor. Em 1777, o alcaide-mor da Sertã (que tinha atribuições de carácter administrativo, jurídico e militar) era Vasco Manuel Cabral da Câmara.

Na Câmara da Sertã, o executivo municipal era constituído por António Velez da Costa Moniz, Bonifácio António Leitão da Mota e Andrade e João Monteiro Cotrim. Em Pedrógão Pequeno, a presidência da Câmara estava entregue a Bento da Silva Ribeiro.

A vida eclesiástica tinha grande expressão em todo o limite do território sertaginense, existindo dois conventos – o Convento de Santo António, na Sertã, e o Convento de São José, em Cernache do Bonjardim.

Francisco Xavier Moniz foi eleito, em 1777, provedor da Santa Casa da Misericórdia da Sertã, lugar que já havia ocupado nos quatro anos anteriores, e João Anselmo Ferreira Granado mantinha-se como almoxarife da vila da Sertã. O juiz de Fora era Manuel José da Silva Ferreira.

Quanto a igrejas e ermidas, onde havia serviço religioso, tínhamos por esta altura notícia de 15: Igreja do Santíssimo Sacramento do Cabeçudo (cura – António Alves Nunes); Ermida de São Domingos na Serra de São Domingos (capelão – Francisco Ferreira); Igreja de São Simão do Nesperal (cura – João Alves da Silva); Igreja de Nossa Senhora de Palhais (cura – Crisóstomo Luís Aires); Ermida de São Pedro no Trizio (capelão – Manuel Caetano de Andrade); Igreja de São Vicente do Troviscal (cura – João Monteiro Cotrim); Igreja do Espírito Santo do Castelo (cura – António Pestana); Igreja de São Pedro da Várzea dos Cavaleiros (cura – Manuel Mendes Bicho); Ermida de Nossa Senhora da Esperança na Ermida (capelão – António Dias); Igreja de São Sebastião de Cernache do Bonjardim (vigário – João Martins Correia); Ermida de Nossa Senhora da Estrela, no Monte Minhoto, freguesia de Cernache (capelão – Manuel Jorge dos Santos); Igreja de Nossa Senhora do Olival, hoje conhecida por Nossa Senhora dos Remédios (capelão – Manuel Alves da Costa); Igreja de São João Baptista de Pedrógão Pequeno (vigário – Manuel Leitão); Igreja Matriz da Sertã (vigário – João Anselmo Ferreira Granado); Ermida de São Rafael, no Bravo, freguesia de Pedrógão Pequeno (capelão – Miguel João) e Igreja de Santo António do Marmeleiro (cura – Francisco Martins). Existiam também mais alguns templos religiosos espalhados pelos dois concelhos, mas onde não havia qualquer serviço religioso.

Fontes: Casa do Infantado (Maços 112 e 764); Convento de Santo António da Sertã; Antiguidades, Famílias e Varões Ilustres de Sernache do Bonjardim, Vol. II; Relação dos Provedores e Auxiliares da Santa Casa da Misericórdia da Sertã; Certan Ennobrecida; Cadastro Populacional Reino de Portugal; História de Portugal;

Imagem: Brasão antigo do concelho da Sertã

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Memórias: A Praça que era do Comércio e agora é da República



Há quem diga que por aqui pulsa o coração da Sertã. Todavia, a julgar pela forma como tem sido estimada e tratada ao longo dos últimos anos, é provável que nos arrisquemos a ter de lhe escrever o elogio fúnebre num destes dias. Falamos da Praça da República, que é hoje uma pálida imagem daquilo que foi no passado.
A sua história perde-se nas brumas do tempo. Até 1910, foi conhecida por Praça do Comércio, porque era aqui que se realizava o tradicional mercado. Uma foto dos finais do século XIX descoberta recentemente, no arquivo particular de Carlos Relvas (filho dos sertaginenses José Farinha Relvas e Clementina Amália de Mascarenhas Pimenta e pai de José Relvas), dá-nos uma ideia da forma como decorria semanalmente o mercado.
Em 1907, um grupo de amigos de Guilherme Marinha Nunes resolveu aproveitar este espaço nobre para aí colocar um busto em homenagem a este ilustre sertaginense.
Com a implantação da República, os homens cá do burgo resolveram mudar-lhe o nome para Praça da República, o mesmo sucedendo com a Rua do Vale que passou a chamar-se Rua Cândido dos Reis.
Ao longo das últimas décadas sofreu diversas intervenções, quase sempre sem se respeitar a herança histórica do local. Mas isso já é hábito por estas paragens!

Foto: Olímpio Craveiro