segunda-feira, 10 de março de 2014

Natação sertaginense apresenta bons resultados



A natação é actualmente um dos desportos mais populares entre a comunidade sertaginense. A construção da Piscina Municipal da Sertã, em 2009, permitiu o incremento de uma modalidade que até então tinha condições bastante deficitárias para a sua prática. A criação de uma secção de natação de competição no Centro de Cultura e Desporto da Câmara Municipal da Sertã foi um dos frutos mais positivos resultantes desta nova infra-estrutura.
Criada em 2010, esta secção, que tem como coordenador Rui Lourenço, alcançou já resultados extraordinários, com os seus atletas a apresentarem excelentes índices competitivos. As classificações obtidas são exemplo disso mesmo e comprovam que a aposta na natação deverá continuar futuramente.
Para se ter uma ideia do nível atingido por esta secção, basta lembrar que, entre 2011 e 2013, foram conquistados pelos seus nadadores 101 pódios nas diversas provas em que participaram, dos quais 19 foram primeiros lugares.
Em 2014, os nadadores sertaginenses continuam com bons resultados, sendo de destacar o apuramento da equipa de 4x100m livres (constituída por Luís Farinha, Rodrigo Alves, João Ferreira e João Tavares) e de Rodrigo Galvão Alves (100m mariposa) para o Torneio Zonal de Infantis, a disputar em Campo Maior e englobado no calendário nacional da Federação Portuguesa de Natação. Outra referência também para o nadador Luís Pedro Farinha, que depois de vencer o Torneio Nadador Completo, foi convocado para o estágio de capacitação do escalão de infantis, da mesma Federação.

segunda-feira, 3 de março de 2014

As ruas da Sertã: Rua Dr. Pedro Matos Neves



Onde fica? Artéria que surge na continuação da rua Dr. Flávio Reis e Moura

Quem foi? Pedro Matos Neves nasceu no Carvoeiro (concelho de Mação) em 19 de Abril de 1907, mas foi na Sertã que viveu grande parte da sua vida. Médico-veterinário nesta vila desde 1936, aqui somou amigos e gozou de grande influência social e económica. Desempenhou um papel muito importante no fomento da actividade sócio-cultural do concelho, estando o seu nome ligado à fundação do Centro Liceal Técnico. Comandou a direcção do Clube da Sertã em 1953 e 1962, o mesmo sucedendo nos Bombeiros Voluntários da Sertã nos anos de 1940 e 1941. Foi ainda delegado da Junta Nacional dos Produtos Pecuários.
Nunca demonstrou publicamente as suas simpatias partidárias, todavia um documento publicado no livro «História da Sertã» sustenta que não perfilhava o ideário do Estado Novo. Nos arquivos da PIDE está, aliás, depositada uma carta em que é acusado de organizar reuniões anti-situacionistas na sua residência.
Contraiu matrimónio com Noémia Leitão Caldeira Ribeiro. Faleceu em Cascais a 13 de Março de 1989.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Os eternos problemas na EN238



A Estrada Nacional 238 é uma das vias estruturantes do concelho da Sertã, permitindo a circulação de pessoas e mercadorias e a ligação do município aos seus vizinhos de Oleiros e Ferreira do Zêzere, entre outros. Tão importante via não tem, contudo, merecido a atenção devida, ao longo das últimas décadas, por parte do poder central e até do municipal.
Seria fastidioso enumerar os diferentes episódios que têm envolvido esta estrada nos anos mais recentes, entre promessas de requalificação a novos traçados, passando por ideias pouco mais do que ilusórias que não conseguem convencer nem o mais fiel crente. É preciso também não esquecer algumas más decisões do passado, que redundaram no vazio quase completo de iniciativas no que à EN 238 diz respeito.
Todos parecem estar de acordo que o desenho desta via não é actualmente o mais adequado: curvas em demasia, piso irregular, fraca visibilidade para quem circula ou zonas de desnível acentuado.

O troço da EN 238 compreendido entre Cernache do Bonjardim e Ferreira do Zêzere é o que tem provocado maiores dores de cabeça e agora até está cortado ao trânsito devido ao desabamento de uma barreira, na zona do Vale da Ursa, que atirou para a via toneladas de terra e pedras. O corte dura já desde quinta-feira e não há ainda previsões de quando possa terminar.

Perante tudo isto, seria conveniente pugnar cada vez mais afirmativamente (saúde-se aqui a acção da Junta de Freguesia de Cernache do Bonjardim nos alertas que tem efectuado) por uma solução que vá de encontro aos interesses da população e dos automobilistas que diariamente atravessam esta via. O silêncio não é grande arma e é nestas alturas – em que a comunicação social dá destaque a esta via – que a sensibilização deveria ser mais efectiva. É que já na década de 1960 se escrevia: “A EN 238 precisa de obras urgentes, que regularizem o traçado e facilitem a circulação dos automobilistas”.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Silvino Santos lembrado através de um ciclo de iniciativas



Dele se disse que foi um dos pioneiros do cinema brasileiro e que ‘mostrou’ a Amazónia ao mundo. Silvino Santos, natural de Cernache do Bonjardim, é um homem com um percurso de vida brilhante mas praticamente desconhecido no seu concelho de origem. A maioria dos historiadores de cinema presta-lhe reverência, porém o seu nome não figura na galeria dos notáveis sertaginenses. É a este homem que a Câmara Municipal da Sertã dedica, a partir do próximo dia 24 de Fevereiro, um conjunto de iniciativas, que pretendem dar a conhecer um pouco do seu percurso de vida e sobretudo do legado artístico que nos deixou, tanto na sétima arte como na fotografia.
O ciclo de actividades, baptizado com o sugestivo nome de «Silvino Santos – Um regresso», tem início a 24 de Fevereiro (segunda-feira) com a abertura de uma exposição fotográfica no Clube Bonjardim, que ficará patente até 6 de Março. A vila de Cernache do Bonjardim terá também a oportunidade de assistir, nos dias 25 e 26 de Fevereiro, respectivamente, aos filmes «O Cineasta da Selva» (documentário brasileiro sobre a vida e obra de Silvino Santos) e «No Paíz das Amazonas» (filme de Silvino Santos estreado em 1921 e um dos seus grandes sucessos).
No dia 8 de Março, pelas 21h30m, a Casa da Cultura da Sertã recebe o filme-concerto “No Paíz das Amazonas”, com banda sonora no local a cargo dos músicos Nuno Costa (guitarra) e Óscar Graça (piano).
O lançamento do livro «Silvino Santos – Um regresso» e a inauguração da exposição fotográfica, que esteve em Cernache do Bonjardim, acontecem no dia 9 de Março, a partir das 15 horas, na capela do Convento de Santo António da Sertã. Nesta cerimónia marcarão presença Aurélio Michiles (realizador do filme «O Cineasta da Selva»), Márcio Souza (escritor e biógrafo de Silvino Santos), João Paulo Macedo (comissário da exposição) e João Antunes (Cinemateca Portuguesa). Ainda na mesma data será exibido o filme «O Cineasta da Selva», na Casa da Cultura da Sertã.
Já a 10 de Março, terá lugar, igualmente na Casa da Cultura, a conferência «Silvino Santos – Um Pioneiro», onde serão exibidos fragmentos do filme «No Rastro do Eldorado», com comentários de Aurélio Michiles, Márcio Souza e João Paulo Macedo.
A título de curiosidade refira-se que Silvino Santos nasceu em Cernache do Bonjardim, em 1886, e era filho de António Simões Santos Silva e de Virgínia Júlia da Conceição Silva.
Após abandonar os estudos no Seminário de Cernache rumou ao Porto, antes de embarcar para o Brasil em Novembro de 1899. A viagem levou-o até Belém do Pará, onde trabalhou inicialmente numa livraria.
Silvino Santos desenvolveu, entretanto, o gosto pela fotografia e os seus dotes foram notados, particularmente por Júlio Cezar Araña, poderoso seringalista peruano que, percebendo as suas potencialidades e antecipando projectos futuros, lhe financiou uma viagem até Paris. Durante a sua estada na capital francesa, Silvino Santos passou pelos estúdios da Pathé-Fréres e pelos laboratórios dos irmãos Lumiére, onde tomou contacto com as últimas novidades da fotografia e de uma arte que começava a dar os primeiros passos – o cinema.
Regressado ao Brasil, começou a trabalhar freneticamente, fotografando e rodando algumas curtas-metragens na zona da Amazónia, financiadas por Júlio Cezar Araña.
O seu primeiro filme, datado de 1914, perdeu-se devido ao naufrágio do barco que transportava os negativos para os Estados Unidos. Idêntico destino teve o seu segundo filme, o documentário «Amazonas, o Maior Rio do Mundo».
Nesta altura, já Silvino Santos fixara residência em Manaus, trabalhando para a Amazónia Cine Film que produziu, além do documentário sobre o rio Amazonas, mais 12 documentários seus.
Com a falência desta produtora, Silvino Santos associou-se ao rico comendador português Joaquim Gonçalves de Araújo, que financiou o seu filme seguinte, «No Paiz das Amazonas». Estreada em 1921, esta primeira longa-metragem, filmada inteiramente no Amazonas, obteve um considerável êxito no Brasil e chegou a ser exibida na Europa e nos Estados Unidos.
A pretexto da exibição deste filme na Exposição Comemorativa do Centenário da Independência, Silvino Santos viajou até ao Rio de Janeiro para filmar a exposição e daí resultou o documentário «Terra Encantada».
O filme que se seguiu, «No Rasto do El-Dorado», alcançou novo êxito e a sua estreia coincidiu com o início de uma viagem de Silvino Santos a Portugal, entre 1925 e 1927, acompanhando o comendador Joaquim Gonçalves de Araújo e a família. A estada em Portugal foi aproveitada para rodar 35 curtas-metragens documentais que retratavam as diferentes facetas do país e que foram depois agrupadas sob a designação «Terra Portuguesa». No mesmo período, registou o documentário «Miss Portugal».
Em 1927 visitou a família, em Cernache do Bonjardim, e documentou a sua passagem pelo concelho da Sertã com um pequeno filme de 15 minutos intitulado «Sernache de Bonjardim», hoje depositado na Cinemateca Portuguesa.
No Brasil, não parou de trabalhar, apesar de a sua carreira no cinema ter sofrido um interregno – Silvino Santos estava agora mais dedicado à fotografia devido às funções que exercia na empresa de Joaquim Gonçalves de Araújo.
O seu nome viria a cair no esquecimento e só já perto do final da vida voltou à ribalta, pela mão do Grupo de Estudos Cinematográficos de Manaus.
Ainda antes da sua morte, a 14 de Maio de 1970, foi homenageado durante a primeira edição do Festival Norte de Cinema (1969). O seu nome foi depois lembrado em várias ocasiões, nomeadamente através de biografias e documentários, como o já referido «O Cineasta da Selva».