quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Memórias: Do Trinchete à actualidade

Começou por se chamar rua do Trinchete, depois rua Baima Bastos e agora é designada por Avenida Gonçalo Rodrigues Caldeira. A foto que hoje aqui publicamos mostra-nos esta artéria sertaginense durante a década de 1930.
Tudo mudou de então para cá. O jornal Correio da Beira dizia, em 1932, que esta era uma das ruas mais sujas da vila, com os moradores a atirarem os dejectos para a via pública e as casas com um aspecto verdadeiramente deprimente.
A construção da Casa dos Magistrados, em 1946, foi o ponto de viragem na história desta artéria, que conheceu depois uma renovação no edificado e já mais recentemente assistiu à instalação de diversas casas comerciais no seu prolongamento.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Os acidentes no IC8


Estão ainda por determinar as causas que provocaram o acidente que, no Domingo passado, vitimou onze pessoas e deixou mais 33 feridas no IC8. A queda de um autocarro numa ravina perto do nó do Carvalhal veio lançar, uma vez mais, o debate sobre o estado de conservação do IC8 e as obras que se têm arrastado durante os últimos anos.
Desde o início do ano, o troço junto ao nó do Carvalhal já foi palco de, pelo menos, três acidentes, um dos quais com as consequências já enunciadas. É sabido que a via recebera obras de intervenção nos últimos meses, que não foram definitivas porque a ideia passava por testar o novo piso colocado e aquilatar da sua fiabilidade. Todavia, a estrada continuava (e continua) a necessitar de diversas correcções, que vão desde a drenagem à pavimentação, passando pela sinalização.
José Farinha Nunes, presidente da Câmara da Sertã, aos microfones de várias televisões, não quis estabelecer um paralelo de causalidade entre as obras e o acidente de Domingo, mas referiu que “três acidentes num mês é muita coisa”, acrescentando: “Alertei-os para o que aconteceu, porque tantos acidentes em tão pouco tempo deve ser motivo de preocupação”.
Enquanto decorrerem as investigações ao acidente, não é de esperar grandes reacções por parte da concessionária desta via (Ascendi), que se tem remetido ao silêncio desde a hora do acidente. A única informação de que temos conhecimento é a que foi transmitida por José Farinha Nunes: “Estive no local a falar com a concessionária que me disse que ia fazer todos os possíveis para concluir as obras o mais depressa possível”.
Mais do que apontar culpados (o facto de o autocarro ser antigo e não cumprir todas as regras de segurança pode ter feito inflacionar o número de vítimas), era preciso que se olhasse de, uma vez por todas, com atenção para o estado desta e de outras vias, fazendo as obras que forem necessárias. Mais do que tudo, é a segurança dos automobilistas que está em risco.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

«Odisseia» na Sertã

A RTP estreou este Domingo, às 21 horas, a série «Odisseia», protagonizada por Bruno Nogueira e Gonçalo Waddington. Esta série foi parcialmente gravada no concelho da Sertã.
Segundo o website da RTP, «Odisseia» é uma história contada em duas narrativas que se cruzam. Na primeira, temos Bruno Nogueira e Gonçalo Waddington (interpretando-se a si mesmos), dois amigos que partem numa viagem por Portugal em autocaravana. Ambos sentem necessidade de se afastarem das suas vidas profissionais e familiares e de pensarem uma solução para os seus dramas pessoais. Na segunda narrativa, contada como um making-of ficcionado, existem os argumentistas da própria série Odisseia: Bruno Nogueira, Gonçalo Waddington e um terceiro elemento, Tiago Guedes, o realizador. Os três autores, qual Deus ex Machina, decidem o destino dos nossos heróis e da própria história enquanto vai sendo escrita, interferindo directamente na viagem dos dois amigos, escolhendo os actores que devem aparecer na história, como o Nuno Lopes, a Rita Blanco, o Manuel João Vieira ou o cantor Camané”.
Para já, ainda não sabemos quando será exibido o episódio que terá como pano de fundo a Sertã, contudo aqui fica uma curiosidade relacionada com um dos actores – Gonçalo Waddington é bisneto do sertaginense Pedro Oliveira (também conhecido como Pedro Pintor), que além de ter executado diversas obras nas igrejas do concelho foi responsável pelo mural que, durante anos, foi possível apreciar junto ao miradouro Caldeira Ribeiro.
Para aguçar o apetite, aqui fica o trailer da série.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Eleições para a Câmara da Sertã em 2013

A Câmara Municipal da Sertã vai a votos neste ano de 2013. Apesar de ainda não ter sido marcada a data das eleições autárquicas, são já conhecidos os nomes de alguns dos candidatos à presidência.
O PSD apresenta como candidato o actual presidente da edilidade, José Farinha Nunes, que nunca escondeu o desejo de se recandidatar. Resta saber se a equipa que o acompanha será a mesma que o auxiliou ao longo dos três últimos anos.
Pelo PS, avança Vítor Cavalheiro, actual líder da concelhia socialista e que tenta fazer regressar o partido ao comando da Câmara da Sertã, de onde saiu em 2009. Da equipa que o acompanha também pouco se sabe.
Os restantes partidos que têm concorrido a estas eleições (CDS-PP, CDU e Bloco de Esquerda) ainda não divulgaram os seus candidatos, sendo de esperar que o façam ao longo dos próximos meses.
A novidade parece ser a candidatura de um movimento independente liderado por Luís da Conceição Rodrigues que, em entrevista ao jornal A Comarca da Sertã, revelou alguns dos pontos do seu programa, apostado nas áreas da cultura e do desporto.
Conforme se percebe, as candidaturas ainda não apresentaram as linhas principais dos seus programas, nem tampouco as medidas que preconizam para o concelho. Todavia, é possível desde já extrapolar sobre os temas que deverão dominar a campanha eleitoral.
A crise económica e financeira será um deles: o Governo tem antecipado vários cortes nas transferências para os municípios e está a preparar novas regras para a lei das finanças locais, que deverão introduzir alterações profundas na actividade financeira dos municípios.
O aumento do desemprego no concelho (acompanhando a tendência nacional), o despovoamento acelerado da região (o município perdeu quase metade da sua população nos últimos 60 anos), a saúde, a educação e o apoio social serão alguns dos temas obrigatórios na campanha. Os efeitos que a extinção de freguesias terá no concelho são outro dos dados em equação.
Além disso, a cultura, a preservação e valorização do património natural e histórico e o turismo deverão também merecer alguma atenção por parte das várias candidaturas.
Em ano de eleições, esperamos que o debate e a campanha, que irão anteceder as eleições, sejam suficientemente esclarecedores!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Histórias do Passado: Um jogo de futebol que acabou aos tiros

Os jogos de futebol entre equipas da Sertã e de Cernache do Bonjardim são férteis em histórias e evocam uma rivalidade que remonta ao século XVI e que nada tem a ver com a ‘bola’. Da rivalidade, falaremos depois mas para já recordemos um célebre jogo que por pouco não redundou em tragédia. 
O segundo dia de Janeiro de 1937 era aguardado com grande interesse, em virtude do desafio de futebol agendado entre as formações do «Onze Unidos» da Sertã e da Casa do Povo de Sernache do Bonjardim. 
Dias antes, estas duas equipas defrontaram-se em Cernache, com a vitória (3-2) a pertencer ao conjunto que jogava em casa. Agora, a partida era na Sertã. 
Logo que o árbitro deu sinal para iniciar o desafio, que decorreu no Campo de Jogos do SFC, na Alameda da Carvalha, percebeu-se que o ambiente entre os adeptos dos dois lados estava bastante crispado. 
As provocações surgiam de parte-a-parte e os jogadores, com algumas entradas mais violentas, incendiaram ainda mais os ânimos. O antigo sócio n.º 1 do Sertanense, José Serra (falecido em 2008), foi um dos que presenciou episódio: “A confusão começou junto das pessoas que estavam em frente à escadaria do Convento de Santo António. Começaram a trocar-se insultos entre pessoas da Sertã e de Cernache e não demorou muito até que se partisse para a violência”. 
As agressões físicas entre adeptos geraram o pânico nalguns espectadores, enquanto outros incitavam aos confrontos, puxando de armas de fogo e disparando para o ar. A Guarda Nacional Republicana, que estava aquartelada bem perto, rapidamente interveio, evitando que aquelas cenas acabassem em desgraça. Várias cabeças partidas e alguns olhos negros terão sido o resultado deste inusitado recontro. 
Nos dias seguintes, o assunto dominava as conversas nas ruas e nas tabernas e chegou mesmo a ser discutido numa sessão da Câmara Municipal da Sertã. O seu presidente, José Farinha Tavares, decretou que nos meses seguintes não se fizessem jogos entre equipas destas duas povoações. A resolução durou até Agosto, altura em que o «Onze Unidos» foi até Cernache defrontar o Atlético local.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Miguel Calhaz tem novo álbum em destaque na Antena 1

Quem por estes dias sintonizar a Antena 1 poderá ter uma agradável surpresa. A estação pública de rádio elegeu como ‘disco da semana’ o primeiro álbum do cantautor, contrabaixista e compositor sertaginense Miguel Calhaz.
O álbum «Estas Palavras», que será apresentado na Sertã, no próximo dia 8 de Dezembro (Casa da Cultura, 22h), é constituído por 11 canções, escritas e compostas por Miguel Calhaz, que conta com a colaboração neste disco dos músicos Marco Figueiredo (piano), Rita Marques (voz), João Gentil (acordeão) e Leandro Leonet (bateria).
Segundo Miguel Calhaz, citado pela Antena 1, estes 11 temas são “moldados a risos e lágrimas, forjados na brasa dos tempos da vontade de mudança”. Tratam-se de “autênticos retratos vivos na clareza das madrugadas de sol, relatos escondidos nas névoas da vida”.
Miguel Calhaz nasceu na Sertã em 1973 e é licenciado em Contrabaixo/Jazz pela Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto. Além da carreira a solo, o músico integra os projectos Popxula, Quartinto, Trilhos e Os Cantautores.
Para aguçar o apetite, aqui fica o link com a interpretação do tema «Estas Palavras», que dá nome ao novo disco e com o qual Miguel Calhaz venceu recentemente o Premio José Afonso:
http://www.youtube.com/watch?v=v2rvj9-dNa0

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Memórias: Inauguração da escola da Cumeada

É uma daquelas imagens em que o Estado Novo era pródigo – a inauguração das escolas assumia-se sempre como um momento solene que obedecia a um conjunto de ritos e onde todos conheciam o seu lugar.
A inauguração, no mês de Março de 1968, da nova escola da Cumeada funciona como a síntese perfeita de tudo aquilo que dissemos atrás. Na foto (assinada pelo saudoso Sarmento Nunes) é possível ver o antigo presidente da Câmara da Sertã, José Antunes, acompanhado pelo presidente da Junta de Freguesia da Cumeada, Acácio dos Reis, momentos antes da cerimónia do corte da fita.
O dia foi de festa para os habitantes da Cumeada, que viram ainda ser inaugurada a electrificação da sede de freguesia e dos lugares de Albergaria, Casal de Santana, Casal do Calvo, Rebaixia dos Faustinos e Rebaixia dos Tomés, bem como o calcetamento das povoações de Casal de Santana, Cardiga Cimeira, Albergaria e Castanheiro Grande.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Concelho da Sertã vai passar a contar com 10 freguesias


A Assembleia Municipal da Sertã disse que não tinha ‘mandato’ para extinguir/agregar freguesias, no âmbito da reforma da administração local decretada pelo Governo, e colocou o ónus da decisão nas mãos da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT). Esta unidade anunciou, na passada quarta-feira, a proposta do novo mapa administrativo do concelho da Sertã, que passa a contar com 10 freguesias ao contrário das actuais 14.
Mas antes de entrarmos na análise da proposta propriamente dita, façamos um exercício de memória relativamente ao comportamento da Assembleia Municipal da Sertã e dos seus deputados durante todo este processo.
Desde que foi conhecida a intenção do Governo em extinguir/agregar freguesias, plasmada no célebre Documento Verde, se percebeu que esta e outras assembleias municipais do país não estavam particularmente interessadas em discutir a matéria, nem tampouco em reflectir sobre se o actual mapa administrativo espelha o que são as novas dinâmicas demográficas e sócio-económicas do país.
Contudo, o primeiro sinal de alarme no concelho soou quando se percebeu que o município da Sertã poderia perder até seis freguesias com esta reforma. Os presidentes de junta vieram à praça pública dizer que não concordavam com os critérios utilizados pelo Governo (critérios esses bastante reducionistas, diga-se) e pediam uma revisão da proposta apresentada.
Passos Coelho fez-lhes a vontade e o documento seguinte foi mais ‘brando’ e com critérios bastante aceitáveis. Fazendo as contas, o concelho perderia entre duas a três freguesias, com a benesse de a decisão partir das assembleias municipais, que indicariam as freguesias a extinguir/agregar.
O presente era envenenado, diziam as assembleias municipais, que a partir daí utilizaram as suas sessões para discussões inócuas e sem sentido sobre o que era isto de agregar/extinguir freguesias e quais as consequências políticas que uma decisão deste género teria em futuros actos eleitorais. Porque, no fundo, foi isso que demoveu os cerca de dois terços de assembleias municipais de não apresentaram qualquer proposta de reforma do seu território administrativo.
Na Sertã, os deputados, com duas ou três honrosas excepções, assobiaram para o lado e não perceberam o que estava em jogo, nem sequer entenderam a oportunidade que se abria para discutir o mapa administrativo do nosso território, que é hoje tão desajustado face à realidade que temos no município.
A inacção dos nossos deputados foi revoltante. Talvez seja por isso que outros debates decisivos para o futuro da Sertã nunca se fizeram.
Sobre a proposta da UTRAT, o mínimo que se pode dizer é que a reforma do território se faz a regra e esquadro, sem atender sequer às características culturais e sócio-económicas do território. Por exemplo, agregar duas freguesias extremamente despovoadas como a Ermida e o Figueiredo é o mesmo que juntar dois pequenos problemas para acabar a transformá-lo num grande. Seria mais lícito que essa agregação se fizesse com uma freguesia dita mais forte como o Troviscal ou a Várzea dos Cavaleiros, como agora parece que tem sido sugerido (agora é que sugerem!?!?!?).
Por seu lado, a agregação das freguesias do Nesperal e de Palhais à de Cernache do Bonjardim parece ser mais acertada, ainda que deva merecer alguma atenção o facto de algumas das povoações da freguesia de Palhais estarem mais próximas da Cumeada do que propriamente de Cernache do Bonjardim.
Já sobre a agregação das freguesias de Marmeleiro e Cumeada, será curioso perceber como é que duas freguesias separadas por uma rivalidade com mais de dois séculos conviverão sob uma mesma unidade. Ainda assim, e olhando para o mapa do território e para os critérios que presidiram a esta reforma, parecia desde o início a agregação mais óbvia, como aliás surgia a agregação de duas freguesias, que há mais de cinco séculos têm estado unidas, ainda que separadas administrativamente – falamos de Pedrógão Pequeno e do Carvalhal. Quem se lembra dos limites do extinto concelho de Pedrógão Pequeno, que no próximo ano comemora os 500 anos da sua fundação?
Foi esta a discussão que ninguém teve coragem de fazer aqui na Sertã como na maior parte dos municípios vizinhos ou no resto do país.
O que agora se segue é aquilo que já tivemos oportunidade de ouvir na Rádio Condestável (saúde-se a acção desta rádio na tentativa de discutir o problema nestes últimos meses): os presidentes de junta e os nossos representantes autárquicos a criticarem a proposta e a dizer que tudo deveria ter sido feito de forma diferente. 
Contudo, o que está na proposta da UTRAT – e ficará para a posteridade – é esta frase lapidar: “A Assembleia Municipal da Sertã não se pronunciou nos termos do artigo 11.º da Lei n.º 22/2012”.