terça-feira, 16 de outubro de 2012

Escolas do concelho com melhores resultados nos rankings mas ainda longe do ideal

Os rankings têm sempre a sua dose de subjectividade e não permitem uma visão de conjunto do objecto analisado, contudo podem funcionar como bons indicadores da realidade que se quer avaliar. Os rankings das escolas, que todos os anos surgem por esta altura, em diversos órgãos de informação, são importantes ferramentas de trabalho, que o Ministério da Educação teima em desacreditar.
Mas aquilo que nos traz aqui hoje são os resultados destes rankings, sobretudo no que diz respeito às escolas do concelho da Sertã. Como habitualmente, escolhemos o ranking apresentado pelo jornal Público.
No ensino secundário, o Instituto Vaz Serra posicionou-se no 98.º lugar (em 2011 estava colocado no 230.º lugar), com uma média final nos exames de 10,92 valores (média resultante das 79 provas efectuadas), ao passo que a Escola Secundária da Sertã não vai além do lugar 264 (num universo de 608 escolas), apesar de ter subido vários lugares em relação a 2011 (542.ª posição). A média final foi de 9,91 valores (média resultante das 238 provas realizadas).
A melhoria na escola sertaginense é de saudar, todavia há ainda muito trabalho a fazer para inverter este cenário pouco optimista. Basta lembrar que, em 2006, a Escola Secundária registava uma média positiva nos exames realizados (10,85) e posicionava-se no lugar 130.
Já no ensino básico (9.º ano), os dois estabelecimentos de ensino do concelho não têm grandes motivos para festejar, apesar de a escola sedeada em Cernache do Bonjardim ter melhorado a sua posição em relação ao ano transacto.
O Instituto Vaz Serra obteve o 496.º lugar (média final de 2,89 valores para um total de 76 provas), quando em 2010 ficara na posição 606, enquanto a Escola Básica Padre António Lourenço Farinha desceu do 694.º lugar de 2011 para o 961.º lugar no ranking deste ano (média final de 2,62 valores para um total de 226 provas realizadas).
Aqui ficam os resultados, a pedir uma aturada reflexão.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Povoações: Póvoa (freguesia da Várzea de Cavaleiros)


As origens do lugar da Póvoa remontam talvez ao século XV, altura que o prior da Ordem do Hospital, Vasco Ataíde, doou a aldeia da Várzea dos Cavaleiros e o seu termo a Brás Trancoso, escudeiro de El-Rei D. Afonso V.
Foi pelos anos de 1460 que este cavaleiro iniciou os primeiros emprazamentos de terras no território que mais tarde haveria de constituir a freguesia da Várzea dos Cavaleiros. O objectivo era entregar estas terras, a troco de um foro (pagamento), a cidadãos ou famílias, que ficavam obrigadas a cultivá-las e a assegurar a sua manutenção.
O lugar da Póvoa (cujo nome significa “pequena povoação” ou “casal”) parece ter origem num desses emprazamentos, sendo de aceitar a hipótese de que o primeiro habitante da Póvoa pudesse ser um foreiro da Ordem do Hospital. Aliás, no Outeiro da Várzea e no Porto dos Cavaleiros há registos da existência de terrenos emprazados por esta ordem.
Sabemos que a Póvoa possuía em 1527, oito casas, sendo a segunda aldeia mais populosa da futura freguesia da Várzea (esta freguesia foi apenas criada em 1555). Duzentos anos depois, o número de casas subiu para 18 e, em 1891, eram já 24.
Segundo os censos da população realizados em 1911, logo a seguir à implantação da República, a Póvoa registava 135 habitantes, distribuídos por 30 habitações.
Até 1910, os habitantes da Póvoa viviam sobretudo da agricultura e da silvicultura, havendo também aqueles que, nas décadas seguintes, começaram a trabalhar nas minas de ferro da Várzea.
Aqui sempre existiram importantes proprietários, que davam emprego a muita gente, sobretudo no cultivo de produtos agrícolas e, mais tarde, na exploração florestal.
Em 1926, foi construída a capela de Nossa Senhora dos Aflitos, a expensas de algumas figuras distintas da povoação e de subscrição aberta junto do povo.
Por seu lado, em 1939, o ministro das Obras Públicas e Comunicações concedeu uma verba de 17.692 escudos à Câmara Municipal da Sertã para o abastecimento de água à povoação, obra essa que foi iniciada no ano seguinte, ficando a localidade dotada de uma fonte que servia toda a população. É de notar que a Póvoa foi, depois da Várzea dos Cavaleiros, a primeira povoação da freguesia a ser abastecida de água através de fontes.
À medida que os anos foram passando e com o aumento da população que, nos finais da década de 1950, ultrapassava já as duas centenas de pessoas, foi necessário reforçar o caudal de abastecimento de água a este lugar, o que viria a acontecer em 1969.
Um ano depois, em 1970, as ruas da Póvoa foram calcetadas. Outro melhoramento de monta efectuado em 1966 foi a reparação e asfaltamento da estrada que liga a Portela dos Bezerrins à Várzea dos Cavaleiros e que facilitou o acesso dos moradores da Póvoa a cada um destes lugares.
O dia 20 de Setembro de 1970 foi um dos mais marcantes da vida da povoação, visto ter sido a primeira vez que um representante do Governo visitou o lugar. O Governador Civil de Castelo Branco, Ascensão Azevedo, deslocou-se aqui para tomar contacto com os melhoramentos efectuados nos anos anteriores.
A electrificação deste lugar chegou já durante a década de 1970, ao passo que o saneamento básico foi concluído apenas em Novembro de 1999.
À semelhança do que tem sucedido um pouco por todo o concelho, a população da Póvoa tem vindo a diminuir consideravelmente. Os censos de 2001 sinalizavam apenas a existência de 45 moradores.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

«A Dama das Camélias» visita a Sertã


A Companhia Teatral da Sertã A.Com.Te.Ser leva à cena, nos dias 13 e 21 de Outubro, a peça «A Dama das Camélias», escrita originalmente, em 1848, por Alexandre Dumas Filho.  
A narrativa da história, que muitos afirmam ser autobiográfica, retrata o romance entre Margarita Gautier, a mais cobiçada cortesã parisiense, e Armando Duval, um jovem estudante de Direito. O romance não é aceite pelas famílias e a trama é urdida a partir desse ponto.
A peça foi representada, pela primeira vez em 1852, no Theatre de Vaudeville, em Paris (França).
Na Sertã, a primeira sessão decorre no dia 13 de Outubro (sábado), no Teatro Tasso, a partir das 21 horas. Já a segunda sessão tem lugar na Casa da Cultura a 21 de Outubro (domingo). Este último espectáculo tem início agendado para as 16 horas.
Aqui fica a sugestão!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A chaga do desemprego num país em crise profunda


O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, começou por dizer que se tratava de “uma oportunidade para mudar de vida” (11/5/2012), emendando depois a mão e classificando-o como uma “chaga social” (12/5/2012). O desemprego é um dos maiores flagelos do país e ouvindo hoje o ministro das Finanças, ficámos com a noção de que, muito dificilmente, o cenário irá inverter-se no próximo ano, altura em que a taxa de desemprego deverá chegar aos 16,4 por cento. Olhemos para estes números e tentemos perceber o que se passa no concelho da Sertã.
O Eurostat revelou, no início desta semana, que a taxa de desemprego, no nosso país, atingiu os 15,9 por cento, o valor mais alto desde 1953, altura em que o Banco de Portugal começou a tratar esta informação estatística.
A subida do nível de desemprego é extensível a todo o território nacional e no concelho da Sertã, a julgar pelo número de inscritos no Centro de Emprego, no mês de Agosto, são 791 os indivíduos à procura de trabalho, dos quais 269 estão nesta situação há mais de um ano.
O valor é assustador e só não é superior porque estão sinalizados vários casos de sertaginenses que, depois de perderem o emprego, resolveram emigrar, um expediente muito utilizado nesta zona do país.
A maioria dos desempregados no concelho é do sexo feminino (506), sendo que o grupo etário mais afectado é o que se situa no intervalo entre os 35 e 54 anos (389 indivíduos). Ao nível da escolaridade, os desempregados com o 9.º ano (3.º ciclo EB) suplantaram, pela primeira vez em muitos anos, os do secundário. Pela negativa, referência também para os 62 licenciados no desemprego, o que nos dá uma ideia precisa da dificuldade que o concelho tem em absorver cidadãos com formação superior.
Por mais do que uma vez, temos referido que este é um problema estrutural do país, agravado pela crise económica e financeira dos últimos anos. Todavia, urge parar para pensar e não entrar em discursos demagógicos de soluções milagrosas que colocaram Portugal na situação em que está. Os tempos são difíceis e exigem protagonistas à altura. Como dizia Pedro Santos Guerreiro, num editorial recente do Jornal de Negócios, “a gestão política do Governo é um fracasso, mas alguém tem de pegar nos paus e começar a reconstruir as pontes”.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os sacrifícios, os esquecimentos e uma reforma adiada pelas eleições

Os últimos dias não podiam ter corrido pior para o Governo que nos lidera. Primeiro, foi o anúncio do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de que 2013 traria mais medidas de austeridade (vergonhosa a forma como o Governo fala grosso com os fracos e baixa a voz com os fortes); depois, foi o recuo do Executivo na intenção, antes manifestada, de que a entrega da casa poderia servir para o pagamento integral da dívida ao banco, pela contracção do respectivo crédito à habitação; e, por fim, a forma displicente como o Governo anunciou que já não iria rever a lei eleitoral autárquica, “devido à proximidade das eleições”.
Sobre os dois primeiros pontos já muito se disse e escreveu nos últimos dias, contudo o terceiro ponto passou quase incólume e pode abrir um precedente perigoso agora que se aproxima a hora da verdade para a definição do novo mapa de freguesias em Portugal.
Há uns meses largos, felicitámos este Executivo de coligação pela coragem em avançar com uma reforma, que prometia revolucionar toda a administração local. Contudo, pode dizer-se que, até ao momento, ‘a montanha pariu um rato’.
A redução do número de concelhos, que aliás era uma imposição da Troika, rapidamente foi atirada para as ‘calendas gregas’ e agora a lei eleitoral autárquica vê a sua reforma abandonada “devido à proximidade das eleições”.
Posto isto, sobra a extinção/fusão de freguesias, sendo que as assembleias municipais terão de se pronunciar, até ao próximo dia 14 de Outubro, sobre esta matéria. No entanto, uma questão se levanta: que legitimidade terá agora o Governo para obrigar os municípios a extinguir freguesias quando esse mesmo Governo não foi capaz de cumprir o seu papel neste processo, ou seja, rever a lei eleitoral autárquica?
É óbvio que o país precisa de uma reforma séria, que leve a um emagrecimento do número de concelhos e de freguesias, mas é necessário que este processo seja conduzido por pessoas de coragem e sérias que não vacilem perante as primeiras dificuldades.
O lobbie autárquico no PSD é fortíssimo, como se sabe, mas isso não é motivo para que Pedro Passos Coelho e a sua equipa tremam de medo a cada sinal de possível instabilidade política. Infelizmente, é isso que tem sucedido, sobretudo quando se trata de enfrentar poderes instalados.
Aproveitemos a oportunidade para alguns apontamentos sobre a forma como tem decorrido o processo de extinção de freguesias no concelho da Sertã. O debate necessário foi quase inexistente entre os protagonistas políticos do concelho. A Assembleia Municipal tem-se esquivado, de todas as formas, a ter que tomar uma decisão sobre este difícil dossier, delegando esse ónus na Câmara Municipal. Claro está que o expediente não é o correcto, até porque a proposta terá de sair da Assembleia Municipal, que à excepção de dois ou três deputados, tem mantido um silêncio sepulcral sobre a matéria. A discussão deve estar a ser guardada para o dia em que terão de ser tomadas decisões. Ou então, acredita-se piamente que esta reforma não irá para a frente!
Aqui ao lado, a Câmara de Proença-a-Nova propôs um referendo local sobre a extinção de freguesias, justificando que “os eleitos locais não receberam qualquer mandato dos seus eleitores para extinguirem freguesias”.
Não parece uma atitude que augure bons resultados (sobretudo por ser tomada tão tardiamente) ou que resolva alguma coisa, mas pelo menos teve o condão de promover o debate local, coisa que sempre tem faltado nestas regiões do Pinhal Interior.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Património esquecido: Estação arqueológica da Serra da Longra


A preservação do património não tem sido, salvo raras excepções, uma prioridade no nosso concelho, não sendo pois de admirar o estado de abandono ou degradação em que se encontra muito deste património.
A estação arqueológica da Serra da Longra, na freguesia do Marmeleiro, é um bom exemplo disso mesmo. Sinalizado pela, primeira vez, em 1983, este local esconde entre as suas pedras os vestígios de um antigo casal romano, composto por casas rectangulares (de que já só existem pequenos resquícios).
A existência deste pequeno povoado na freguesia do Marmeleiro não causa surpresa, em virtude dos inúmeros vestígios romanos existentes nas zonas limítrofes: ponte dos três concelhos, conheiras da Ribeira do Codes ou fonte romana de Chão do Pião.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Memórias: O Cabril e a sua barragem


Imaginar nos dias que correm o vale do Cabril sem a sua barragem é tarefa difícil, todavia resolvemos facilitar o trabalho, recuperando uma antiga foto deste local.
O ‘instantâneo’ foi tirado algures pelo final da década de 40, quando se iniciaram as obras de construção da Barragem do Cabril, em Pedrógão Pequeno.
A construção ficou marcada pela morte de vários operários, tendo demorado cerca de cinco anos a concluir.
A história deste imponente empreendimento ainda está por contar, contudo como geralmente se diz, em Pedrógão Pequeno, há um antes e um depois da barragem. A vila pedroguense nunca mais foi a mesma desde que o Presidente da República, Craveiro Lopes, inaugurou este projecto no dia 31 de Julho de 1954.   
Foto: Luzfama

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ilustres sertaginenses lembrados nas ruas do nosso Portugal

A memória dos grandes sertaginenses não se perpetua apenas nas ruas deste concelho. É possível encontrar, um pouco por todo o país, referências aos homens que ajudaram a escrever a nossa história e que têm em comum o facto de terem nascido no município da Sertã.
Nuno Álvares Pereira. O nome dispensa apresentações e as suas façanhas militares e religiosas são ainda hoje lembradas. As dúvidas quanto à sua naturalidade (os principais historiadores inclinam-se para Cernache do Bonjardim) não são impeditivas de quase todas as vilas e cidades portuguesas terem uma rua ou uma avenida sob a sua invocação. Almada, Estoril, Viseu, Amadora, Leiria, Alverca, Ourém ou Matosinhos são algumas das localidades onde podemos encontrar uma artéria dedicada a esta figura indelével da História de Portugal.
Percorrendo a cidade de Lisboa, é possível encontrar nomes ligados ao concelho da Sertã. Na zona do Alto do Pina, Casimiro Freire (natural de Pedrógão Pequeno, benemérito da instrução popular e um dos fundadores do primeiro centro republicano) tem uma artéria que lhe é dedicada.
Idêntica honra tem Portugal Durão (nasceu na Sertã e notabilizou-se na carreira militar, tendo ainda desempenhado vários cargos ministeriais), cuja rua com o seu nome fica situada na freguesia de Nossa Senhora de Fátima.
David Lopes (natural do Nesperal e que se distinguiu como professor e arabista) viu ser-lhe dedicada uma artéria na freguesia de São João.
Mais a Norte, José de Parada e Silva Leitão (natural de Cernache e que se destacou no contexto das guerras liberais) é uma das figuras gradas da cidade do Porto e a Câmara local não perdeu o ensejo de perpetuar o seu nome numa das praças mais concorridas daquela urbe.
Ainda a Norte, Manuel Martins Cardoso (natural da Sertã e que teve papel activo nos primeiros tempos da república) tem o seu nome numa artéria de Fânzeres, no concelho de Gondomar. O mesmo Manuel Martins Cardoso emprestou o seu apelido a uma praceta da vila de Belas, no concelho de Sintra.
O cernachense Salvador Nunes Teixeira (combatente na 1.ª Guerra Mundial, deputado, governador civil e presidente da Câmara de Bragança) não tem o seu nome numa rua, mas a Câmara de Bragança não o esqueceu e dedicou-lhe um dos bairros mais característicos da cidade transmontana.
Torres Vedras e Leiria homenagearam o Pe. Manuel Antunes, lembrando-o nas ruas de duas das suas freguesias: Ventosa e Caranguejeira, respectivamente.
Não é só em Portugal que encontramos sertaginenses ilustres em nomes de ruas. No Brasil, Silvino Santos (natural de Cernache e um dos pioneiros do cinema brasileiro) tem várias ruas que lhe são dedicadas, nomeadamente nos municípios de Marabá (estado do Pará), Ipatinga (Minas Gerais), Imperatriz (Maranhão) e João Pessoa (Paraíba).