quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Novos fins para as árvores mais jovens


A premissa é simples: “E se do pinheiro bravo de baixa densidade (árvores mais jovens) não se fizerem apenas estacas, mas sim outro tipo de estruturas como pontes, garagens ou móveis?”
Segundo uma das últimas edições do jornal Reconquista, é nesta premissa que assenta o projecto de investigação científica que a associação inter-municipal Pinhal Maior (organismo que integra os concelhos de Vila de Rei, Oleiros, Sertã, Proença-a-Nova e Mação) está a desenvolver em colaboração com a Universidade de Coimbra e com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
No fundo, este projecto visa o aproveitamento da madeira de pinho de baixa densidade (com diâmetro entre os 5 e os 17 centímetros) para outras estruturas, que não apenas as estacas.
Os testes já começaram a ser realizados de forma a verificar a resistência da madeira depois de tratada, o que será fundamental para a atribuição de novas funções ao pinheiro bravo.Para Augusto Nogueira, coordenador da Pinhal Maior, este projecto é bastante importante para uma região afectada pelos incêndios florestais. “Devido aos fogos, existe muita madeira que, devido à sua dimensão, apenas é utilizada na produção de estacas. O objectivo da iniciativa passa por obtermos novas formas de aproveitamento desse tipo de madeira”, afirmou ao jornal Reconquista.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Sétima arte longe da Sertã


Já lá vão uns anos desde a última vez que foi possível ver um filme, numa sala de cinema da Sertã. Os cinemas da vila estão hoje de portas fechadas e a população privada de uma das maiores manifestações culturais do nosso século.
O Cine-Teatro Tasso, que durante muitos anos assegurou a exibição das mais diversas películas, suspendeu as projecções. A direcção do Clube da Sertã acusa a câmara pelo encerramento, ao passo que a autarquia devolve as responsabilidades.
A sala de cinema do shopping Monteverde (hoje Pingo Doce) também fechou as suas portas.
Perante este cenário, as opções dos amantes da sétima arte não são muitas, para não dizer quase nenhumas. Proença-a-Nova tem sido uma solução de recurso.Talvez existam problemas mais graves a aguardar resolução no nosso concelho mas, ainda assim, penso que é chegada a hora de resolver esta situação. Quando se fala em fixar a população jovem no Interior, a oferta cultural é um argumento importante (vide últimos inquéritos realizados pelo INE) e a ausência de um equipamento destes na Sertã é mais um factor a contribuir para o empobrecimento do concelho.

Monsanto travou Sertanense e Sernache segue em frente na Taça de Honra


O Sertanense não conseguiu levar de vencida, no último fim-de-semana, a equipa do Monsanto, em jogo a contar para a nona jornada do Nacional da 3.ª Divisão (Série D). Apesar do empate a zero, a formação da Sertã mantém o terceiro lugar da classificação, com 19 pontos.
O encontro entre estes dois conjuntos era aguardado com alguma expectativa, em virtude de estarmos perante duas das melhores equipas deste campeonato. O equilíbrio foi a nota dominante durante toda a partida, apesar do Sertanense ter desperdiçado algumas boas oportunidades para chegar à vitória.
Por seu lado e em jogo a contar para a primeira eliminatória da Taça de Honra de Castelo Branco, o Vitória de Sernache “arrancou” uma vitória (2-1) no reduto do Teixosense, um resultado que lhe permite passar à fase seguinte. Os golos da turma vitoriana foram apontados por Tomás e Nuno Alves. No distrital de juniores, o Sertanense folgou nesta jornada, mas mantém a primeira posição com 13 pontos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Memórias: Edifício da Câmara Municipal em construção


Estávamos em 1917, quando um violento incêndio reduziu a cinzas o edifício dos Paços do Concelho da Sertã, localizado mesmo em frente ao Clube da Sertã. Perante o infortúnio, a população da terra juntou-se e a ideia da construção de um novo edifício começou a germinar.
Foram ainda precisos alguns anos e uma soma bastante elevada para a época para que o sonho do novo edifício se tornasse realidade. Inspirando-se no desenho dos Paços de Concelho de Lisboa, o arquitecto Cottinelli Telmo projectou um dos maiores ex-libris da vila. Esta fotografia, da autoria de Olímpio Craveiro, dá conta do andamento dos trabalhos, que, pelo que me recordo, ficaram concluídos na década de 30 do século passado.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Passeio gastronómico pela Zona do Pinhal


Numa das últimas edições do suplemento Fugas, do jornal PÚBLICO, a Zona do Pinhal foi destaque, pela sua rica gastronomia. Num artigo assinado pelo jornalista David Lopes Ramos e intitulado “Por terras de maranhos, plangaios e cabrito estonado”, Sertã, Oleiros, Vila de Rei e Proença-a-Nova ficaram mais próximos dos portugueses.
Com a devida vénia ao jornal PÚBLICO, aqui ficam excertos do artigo publicado:

“A região [Zona do Pinhal] está mais acolhedora e, quem se interessar pelo tema, encontrará restaurantes onde poderá provar as jóias culinárias da região: os maranhos, os plangaios, os buchos de porco recheados, o cabrito estonado. E as estradas estão melhores, muito melhores.

(...) Ficamo-nos hoje pela Zona do Pinhal e, em particular, pelos concelhos da Sertã, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila de Rei. Região marcada pela floresta de pinheiros e eucaliptos, a monotonia vegetal é, aqui e ali, animada por aldeias de cariz medieval e, sobretudo, por trechos do imenso lago que é a albufeira do Castelo de Bode, um espelho de água de uns 60 quilómetros, ao longo do qual nasceram praias fluviais e duas ou três estalagens com o quanto baste de conforto para uma estadia retemperadora.
A Zona do Pinhal é uma região sossegada e pacata, desaconselhada aos viciados na agitação citadina, embora também haja por lá lugares onde os adeptos dos chamados desportos radicais poderão satisfazer a sua paixão. Comparada com a situação de há 20 anos atrás, as estradas estão, em geral, mais transitáveis, as ligações às principais vias nacionais existem e têm qualidade e as sedes dos concelhos citados, embora mantenham o ar íntimo de outrora, cresceram quase sempre de forma harmoniosa. Em algumas delas há exemplares de arquitectura religiosa que merecem ser conhecidos e visitados, entre os quais a Igreja Matriz da Sertã e a Igreja Matriz de Oleiros. Os coleccionadores de objectos artesanais, designadamente nos domínios da olaria, tecelagem, bordados de linho ou cestaria, têm igualmente por onde escolher. E os lugares estão bem sinalizados na berma das estradas.

(...) Quanto às comidas e bebidas, que são o tema central destas páginas do FUGAS, há algo a dizer, sobretudo no domínio dos sólidos que, quanto a vinhos, salvo alguns de Cernache do Bonjardim (Sertã) com certo interesse, não há mais nada a assinalar. É nos enchidos que a Zona do Pinhal mais se distingue. Os maranhos, quando bem confeccionados, são do mais original e delicado de sabor que existe em Portugal. Os plangaios ou plagaios, mais condimentados e de sabor mais intenso, são igualmente muito bons, bem como os buchos de porco recheados com lombo de porco, carne de galinha, presunto, chouriço magro, ovos, miolo de pão, salsa picada, vinho branco, sumo de laranja e limão, entre outros condimentos. Nos restaurantes da Zona do Pinhal que servem comida regional costumam juntar no mesmo prato umas fatias de maranhos e de bucho recheado.

(...) Outro prato emblemático da região, talvez o mais emblemático, é o cabrito estonado. Faz-se também cabrito assado no forno como noutras regiões portuguesas, mas o estonado é especial. Porquê? Porque os bichinhos, que não devem ter mais de mês e meio e ser gordos, não são esfolados. A exemplo do que se faz na Bairrada com o leitão, os pêlos dos cabritos são retirados com o auxílio de uma serapilheira ou de outro pano grosseiro, após o bicho ser escaldado em água a ferver. Depois, raspa-se bem com uma faca, mas sempre tendo o cuidado de não romper a pele. Depois de estonado, retiram-se as vísceras ao cabrito por uma pequena abertura na barriga. Reservam-se os bofes, o coração, as molejas, os rins, o fígado e lava-se bem o bichinho, que deverá ficar a escorrer de um dia para o outro em lugar fresco.
No dia seguinte, faz-se uma papa com dentes de alho esmagados, sal, pimenta e vinho branco e barra-se o cabrito por dentro e por fora. Picam-se os miúdos, junta-se presunto aos bocadinhos, salsa e uma folha de louro, mistura a que se junta um pouco da papa com que se barrou o bicho. Recheia-se e coze-se a abertura. Assa-se em forno bem quente, se possível de lenha, e sobre paus de loureiro. A pele deverá ficar estaladiça e com uma bela cor acerejada. É uma delícia. Em alguns restaurantes servem-no sendo sempre necessário encomendar previamente, o que também sucede com o cabrito assado no forno. Por exemplo, no restaurante Famado, em Vale de Urso (Proença-a-Nova), servem um e outro, contra a garantia de um consumo mínimo de oito doses.
Merecem ainda menção os queijos de cabra, de mistura de leites de cabra e ovelha, sobretudo estes, em geral muito apaladados, ligeiramente acídulos e macios, e ainda de queijos de vaca, cabra e ovelha, o pão de milho e alguns doces, como as cavacas e as fofas de Mação, as tigeladas, o bolo de mel, as filhoses e o pão doce em forma de ferradura, não muito doce, perfumado com sumo e raspa de limão, delicioso”.

Incêndios são o principal problema das florestas


Já se sabia, mas agora há relatórios que o comprovam. Os incêndios são “o principal problema das florestas na Europa”, que é uma região única no mundo onde os ecossistemas florestais estão em expansão.
Um relatório das Nações Unidas, divulgado esta semana, concluiu que “ardem anualmente centenas de milhares de hectares de floresta”, sendo que, “enquanto o número de incêndios florestais aumentou, a área ardida manteve-se estável entre 2000 e 2005, sobretudo graças a um combate mais eficaz aos incêndios em vários países”. É curioso notar que a superfície das florestas europeias cresceu 13 milhões de hectares nos últimos 15 anos e elevou-se a mais de mil milhões de hectares, o que representa 44 por cento da superfície do continente e 25 por cento da superfície de florestas em todo o planeta.Simultaneamente, o volume de madeira atingiu o nível recorde de 112 mil milhões de metros cúbicos, e continua a aumentar à razão de mais de 350 milhões de metros cúbicos por ano, segundo o relatório.Tudo isto, para dizer que a floresta é um recurso que continua a ser decisivo nas economias locais e a Sertã, concerteza, tem muito a ganhar com isso. A questão é saber se as entidades, que tão mal têm gerido um dos nossos bens mais preciosos, aprenderam alguma coisa com os incêndios dos últimos anos.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

População do Troviscal descontente

Há coisas que são difíceis de entender, ou até mesmo de aceitar. Na semana passada, uma notícia no jornal Gazeta do Interior dava conta do descontentamento da população da freguesia do Troviscal relativamente a alguns problemas que ainda aguardam solução, nomeadamente o que diz respeito à cobertura de rede móvel na freguesia.
Apesar dos constantes apelos e dos muitos abaixo-assinados enviados às entidades competentes, a cobertura de rede móvel continua a ser deficiente ou quase inexistente nos locais mais baixos da freguesia.
Este é um daqueles problemas de fácil resolução, bastando apenas alguma boa-vontade dos operadores. Outra das queixas mais frequentes da população da freguesia prende-se com a falta de uma caixa de multibanco. Neste caso, a solução pode passar por convencer alguma das entidades financeiras que actuam no concelho a suportar a instalação desta estrutura.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Memórias: «Bombas» de gasolina em Santo Amaro


Numa altura em que a crise petrolífera, pelo lado dos preços, voltou a estar na ordem do dia, nada melhor do que recuar no tempo e recordar um dos mais antigos postos de abastecimento da vila, ali para os lados de Santo Amaro.
A imagem é reveladora e tudo nela parece icónico. Desde os depósitos até à oficina ainda em construção, passando pela exiguidade do espaço, tudo são pormenores ricos em história.
Não posso deixar também de chamar a atenção para a empresa que na altura abastecia este posto de combustíveis (Sonap). Trata-se de uma distribuidora, criada em 1933, que rivalizava com o principal colosso da altura – a Sacor. Depois do 25 de Abril, estas duas empresas, juntamente com a Cidla e a Petrosul, viriam a dar origem à Petrogal, hoje Galp.

Sertanense e Sernache mediram forças

O Sertanense goleou ontem (6-1) o Vitória de Sernache, em jogo amigável, disputado no Campo Dr. Marques dos Santos, na Sertã. Numa partida, em que o resultado evidencia as diferenças competitivas entre as duas equipas, os dois treinadores aproveitaram para fazer várias substituições e rodar alguns dos jogadores menos utilizados.
O domínio do Sertanense foi avassalador e no final da primeira parte o resultado era exemplo disso (4-0). Numa tarde inspirada, Vicente assinou um hat-trick, com os restantes golos a serem apontados por Bruno Xavier, Rabat e Milford.
O tento de honra do Vitória chegou por intermédio de um antigo jogador do Sertanense, Miguel Farinha.
Nas camadas jovens, a equipa da Sertã continua a sua caminhada triunfal no Distrital de Juniores, depois de averbar mais uma vitória, neste fim-de-semana, frente ao Alcains. O primeiro lugar da tabela é da formação sertaginense, que ao fim de cinco jogos, soma 13 pontos (quatro vitórias e um empate).

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A lenta agonia do centro histórico

É triste, sempre que passo por ali, assistir à lenta agonia de uma das zonas mais emblemáticas da vila da Sertã. O centro histórico – se é que é possível chamar-lhe isso – é hoje uma pálida imagem do que foi em tempos. Algumas das casas mais emblemáticas estão em ruína, a população envelhecida, o comércio que resta aguarda por melhores dias. Encontrar responsáveis por esta situação não seria complicado. No entanto, esse seria o caminho mais fácil. Mais difícil, isso sim, é tentar encontrar uma forma (ou mesmo uma fórmula) que inverta o actual cenário.
Quando olhamos para o estado actual do centro histórico, uma conclusão parece óbvia: os sertaginenses deixaram de andar por ali, à excepção dos que lá vivem ou dos que por lá passam a caminho do trabalho ou de outra actividade mais lúdica.
As ruas e ruelas estão cheias de memórias. Contudo, já ninguém mostra grande vontade de morar por aqui. Não podemos culpá-los, até porque para aqueles que o quisessem fazer não tinham onde. As poucas casas disponíveis apresentam preços exorbitantes e as outras nem sequer dispõem de condições de habitabilidade.
O comércio que nos tempos de outrora tinha aqui a sua morada, nomeadamente na rua do Castelo e na rua do Vale, partiu para outras paragens (Praceta do Pinhal ou zonas próximas). Os que ficaram queixam-se dos poucos clientes. E até as obras de requalificação levadas a cabo pela Câmara, há alguns anos, parecem não ter surtido o efeito desejado.
Mas como é que este problema se resolve? A questão é pertinente, mas até eu não encontro uma solução muito viável para resolver o problema, no curto-prazo. E depois, há a questão das dinâmicas que devem ser criadas e que outras zonas da Sertã souberam criar – e bem. Não podemos obrigar ninguém a morar aqui, mas podemos preservar melhor aquele que é o nosso passado. O exemplo da Casa das Guimarães, que a Câmara decidiu agora demolir, é paradigmático. Um imóvel municipal a cair aos bocados e mais um pouco da história da Sertã que se apaga.
Espero voltar ao tema brevemente, mas para já a discussão fica aberta...